Luz para o Caminho 

Dons para a Igreja 

2º Semestre de 2026 

Ano I 


Pr. Jorge Gesteira

Sumário: 

Apresentação .................................……. 

Introdução ......................................……. 

Lição 1 – Ser pentecostal ...............……. 

Lição 2 – Fruto do Espírito ............……. 

Lição 3 – Os melhores dons ...........……. 

Lição 4 – Andar e viver em Espírito …... 

ição 5 – Oração ............................……. 

Lição 6 – Jejum ..............................……. 

Lição 7 – Dons Espirituais ............…….. 

Lição 8 – Falar em línguas ............…….. 

Lição 9 – Interpretação de línguas .……. 

Lição 10 – Dom de curar ................……. 

Lição 11 – Dom de expulsar demônios ....................................... Lição 12 – Dom de profecia ............……. 

Lição 13 – Dom de orar ....................…... 

Lição 14 – Dom de exortar ................….. 

Lição 15 – Dom de pregar .................….. 

Lição 16 – Dom de mestre …………….. 

Lição 17 – Dons Ministeriais .............…. 

Lição 18 – Mordomia eclesiástica …….. 

Lição 19 – Mordomia diaconal ………... 

Lição 20 – Mordomia evangelística ..….. 

Lição 21 – Mordomia presbiteriana …… 

Lição 22 – Mordomia missionária …….. 

Lição 23 – Mordomia pastoral ………… 

Lição 24 – Apostolado: uma mordomia finalizada …………………. Lição 25 – Mordomia de adoração …….. 

Lição 26 – A igreja de Cristo ……………

Conclusão ……………………………….


APRESENTAÇÃO 
Esta é a primeira edição da revista Luz para o Caminho, do Ministério Missão Família Cristã. O objetivo desta é trazer a visão do Senhor para a igreja, em conformidade com as Sagradas Escrituras e desprezando quaisquer heresias que possam ser lançadas sobre a Palavra do Senhor. O propósito inicial é mantê-la como uma revista semestral. Com o decorrer do tempo isto pode ser alterado. Neste primeiro momento, apenas há um autor para tal publicação. Luz para o Caminho começa sua existência tratando de um assunto primordial para os tempos atuais: os dons necessários para que a igreja exerça aquilo que Deus a chama a fazer – cuidar das ovelhas do rebanho de Cristo. Neste aspecto, é preciso lembrar da conversa do Senhor Jesus com Pedro junto ao mar de Tiberíades: “E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira ves: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.” (Jo 21.15-17). O cuidado que pastores e outros membros da igreja cristã deve ter dos demais é importantíssimo para que a igreja cumpra a missão para que foi chamada à existência. Então, que esta primeira edição seja vencedora em seu propósito de iluminar o caminho da igreja em Cristo para que possa chegar ao Pai para uma vida abundante e eterna após o dia da volta do Senhor Jesus. Então, deixe Cristo falar no seu coração!
Bom aprendizado!
INTRODUÇÃO 
O estudo dos dons, espirituais e ministeriais, começa com a análise do que é, verdadeiramente, ser um cristão pentecostal, que, na visão equivocada de muitos, é ser um cristão barulhento. Um ponto que ninguém enxerga é que a igreja de Cristo sempre foi pentecostal. Mas, o que é ser pentecostal. Esta é análise que será apresentada na primeira lição. Com isto, vem também os atos que provêm de uma cristandade vivida em essência, amor e verdade, gerando o fruto do Espírito, que traz apoio à santificação à vida de cada um e leva o cristão a buscar por dons. Algumas pessoas estão buscando apenas dons ministeriais, pois buscam posição e prestígio dentro da igreja. O Senhor Jesus, inclusive expôs que isto não é do jeito que as pessoas querem. Veja: “Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o e fazendo-lhe um pedido. E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino. Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu hei de beber e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos. E diz-lhes ele: Na verdade bebereis o meu cálice, mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem meu Pai o tem preparado.” (Mt 20.20-23). O que os filhos de Zebedeu precisavam aprender naquele momento era a lição de humildade que o Senhor Jesus dá na parábola dos primeiros assentos e dos convidados: “Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu, e, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar. Mas, quando fores convidado, vai e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobre mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa.” (Lc 14.8-10). Em verdade, é necessário que o cristão saiba se posicionar com humildade, até mesmo quando estiver buscando os dons diante de Deus. “Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelentes.” (1 Co 12.31), conforme as palavras de Paulo. Nas lições desta revista serão ilustrados os caminhos, os propósitos e a verdade sobre os dons espirituais e ministeriais derramados pelo Espírito Santo aos que os buscam.


L ição 1 – Ser Pentecostal 

I – Introdução: 

A principal lição que leva ao conhecimento dos dons é sobre o que é ser pentecostal. Muitas pessoas pensam que ser pentecostal é manifestar dons diversos, principalmente o de línguas. Contudo, este é apenas um erro comum. Ser pentecostal, na realidade, é querer estar congregado com a igreja em oração. Está escrito: “E, cumprindo-se os dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.” (At 2.1-2). O fato é que todos ali estavam esperando pela promessa da descida do Espírito Santo, o que os levou a estarem unidos e em oração. E isto é o que os caracteriza como pentecostais, não os dons. O fato de a descida do Espírito Santo ter trazido consigo dons aos que ali estavam é um complemento. Os dons são bons para a condução da obra do Senhor, mas não são essenciais para caracterizar alguém como pentecostal. Os onze apóstolos, restantes após a morte de Judas Iscariotes, manntiveram-se no cenáculo onde houvera a última ceia com a presença do Senhor Jesus. “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos.” (At 1.14).

II – A descida do Espírito Santo: 
O fato de todos os que estavam no cenáculo estarem no mesmo propósito e unidos em oração demonstrou o amor e o temor que a fé em Cristo despertou neles. “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.” (At 2.3). Esta forma de manifestação do Espírito Santo só é registrada neste momento preciso, pois foi para que os presentes não tivessem quaisquer dúvidas sobre o que estava acontecendo. Em conseqüência, “todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” (At 2.4). E, por que falaram em outras línguas? A explicação está no fato narrado a seguir, que diz:“em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.” (At 2.5-6). O falar em línguas não foi algo que ocorreu por obrigatoriedade, para demonstrar a ação do Espírito Santo, mas por uma necessidade de alcançar aqueles que estavam à volta. E, assim como as “línguas repartidas como que de fogo” não tiveram que ser vistas em todo batismo realizado pelo Espírito, também não havia a obrigatoriedade de manifestação de dons no mesmo. Também não se ouve, sempre que o Espírito batiza alguém, o som de “um vento veemente e impetuoso”. É preciso quebrar paradigmas criados por dedução humana, pois, em outros momentos, a recepção do batismo não foi com as mesmas características. A descida do Espírito Santo é percebida por cada um no coração, com ou sem a manifestação de dons. Portanto, não haja julgamento sobre se é real ou não o batismo recebido e declarado por outra pessoa. Ninguém leu sobre Paulo falando em outras línguas no contexto bíblico.

III – Orações pentecostais: 
Uma das principais lições sobre ser pentecostal está no prazer em se orar, clamar, exaltar e adorar a Deus. E a oração é a principal forma de se executar isto. Então, há a necessidade de se apresentar as formas de oração pelo que se pretende. Assim sendo, temos:
1) Orações diárias simples: No modelo dado pelo Senhor Jesus Cristo, a dita oração do Pai nosso, observa-se que: a exaltação ao Pai está em primeiro lugar, o buscar pelo reino de Deus vem logo em seguida, logo depois vem a gratidão pelas bênçãos e o pedido de fortalecimento espiritual, fechando a oração com o reconhecimento de que tudo é do Senhor e tudo está em Suas mãos. E, ainda que se inclua pedidos a Deus, estes parâmetros.
2) Clamores e súplicas: Em momentos de extrema angústia, fraqueza de fé, tristeza e problemas diversos, muitas pessoas buscam clamar e suplicar a Deus por uma solução. A súplica compreende a disposição do fiel em se humilhar na presença do Senhor, sem dissimulação, mas com verdade e entrega. O clamor compreende os mesmos elementos da oração diária, porém com o acréscimo de tudo o que aflige a vida do cristão.
3) A exaltação: A mais bela forma de agradecimento a Deus é a exaltação de Seu nome, não de forma vã, como quem quer ser visto, mas como quem quer entregar mais e mais a sua vida aos pés do altar. A exaltação pode ser em oração de agradecimento apenas, ou em louvor ao nome do Senhor. E, o louvor, seja cantado ou declamado, sempre será agradável a Deus, desde que possua as características dadas pela palavra da Verdade.
4) A adoração: Mais do que a exaltação, a adoração exprime todo o amor e temor ao Senhor que haja no coração de quem a faz. A adoração é muito mais sentimental do que qualquer outra forma de entrega. Através dela são realizadas todas as outras formas pentecostais de busca da presença de Deus com muito mais intensidade, entrega e verdade.
IV – Conclusão: 
É preciso desfazer a idéia de que ser pentecostal é manifestar dons em todo tempo. Pois, independentemente dos dons, o caráter pentecostal está diretamente ligado à persiteência em orações e ao prazer de estar em união com a igreja do Senhor, refletindo o versículo “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” (Sl 133.1), como também ter o prazer de estar no templo, como relata o Salmo 122.1: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor.”, pois, quem ama a Deus tem prazer em estar em Sua casa, prestar culto a Ele diante da congregação e fazer o que Lhe agrada. Ser cristão compreende jamais negar a Cristo, seja onde quer que se esteja. E ser pentecostal é ter prazer em cultuar, orar, jejuar e adorar a Deus, bem como fazer Sua obra sem temores do que os outros irão dizer a seu respeito. Então, ore sem cessar, contudo, ciente que o importante não é o tamanho da sua oração, mas o amor e a verdade que você deposita em toda oração.

L ição 2: Fruto do Espírito: 

I – Introdução: 

Paulo escreveu que “o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gl 5.22). Em outras traduções está escrito amor em lugar de caridade, alegria em lugar de gozo, paciência em lugar de longanimidade, fidelidade em lugar de , resiliência em lugar de mansidão e domínio próprio em lugar de temperança. Na verdade, a caridade é a expressão do amor, significado do ágape utilizado pelo texto em grego; alegria e gozo são sinônimos na língua portuguesa, bem como paciência e longanimidade, resiliência e mansidão, e, domínio próprio e temperança. Quanto à diferença entre fé e fidelidade, a explicação está em que a tradução natural seria fidelidade, sabendo que aquele que é fiel a Deus é assim pela fé inabalável que possui. A questão trazida por esta lição provém da necessidade de se desenvolver o fruto do Espírito em sua vida. Eis, então, que tudo depende de como cada um conduz sua vida diante do Senhor.
II – Lei e Graça: 
Não há como alguém que se diga cristão viver preso ao cumprimento de 613 leis. O Senhor Jesus disse: “A lei e os profetas duraram até João; desde então, é anunciado o reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele. E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.” (Lc 16.16-17). O que Cristo quis dizer com isto? Se a lei e os profetas duraram até João, por que é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei? Pelos propósitos desta lição, é preciso entender que, mesmo com o anúncio do reino de Deus, muitos ficaram aprisionados e apegados à lei, a ponto de não aceitarem as mudanças apresentadas no Novo Testamento. O Senhor diz que o homem emprega força para entrar no reino devido ao esforço que ele precisa fazer para resistir ao pecado. E por que isto? Pedro escreveu: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar, ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.” (1 Pe 5.8-9). E Tiago dá a fórmula da vigilância, quando diz: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.” (Tg 4.7-8). Ao praticar a vigilância e persistir na busca ao Senhor alcança-se os meios para uma vida no Espírito.
III – Viver e andar em Espírito: 

Viver em Espírito significa vigiar em todo tempo, orar sem cessar e estar sempre conectado com o Senhor. Para uma vida em Espírito é preciso entender que a liberdade cristã é uma liberdade do pecado, e não uma liberdade para o pecado. “Porque a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.” (Gl 5.14-16). E andar em Espírito é ser guiado pelo Espírito, estando debaixo da graça, e não da lei (Gl 5.18). E, o que muda da lei para a graça? Pela lei era exercido um ‘pagamento’ para o perdão dos pecados. A lei precisava ser integralmente cumprida e, qualquer falha ou falta gerava a culpa por toda a lei. Pela graça, a confissão dos pecados a Deus e a fé confessada de que Jesus Cristo é Senhor e Salvador, que Ele , sendo Deus, se fez homem e deu a Sua vida como o sacrifício perfeito para acabar com a separação entre a humanidade e o Pai. Por isso, ao vê-Lo junto ao Jordão para ser batizado, João disse: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (Jo 1.29b). Paulo exorta aos que buscam fortalecer sua vida espiritual, dizendo: “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.” (Gl 5.25-26).

IV – O fruto do Espírito: 

Uma pessoa que se diga batizada no Espírito Santo e que não desenvolve o fruto do Espírito é uma pessoa enganada sobre o que recebeu. Mesmo que a pessoa mostre um falar em línguas, este batismo não a purificou de todo, pois os principais dons para quem se batiza são os que compõem o fruto do Espírito. Se a pessoa ainda possui caracterísiticas de praticante das obras da carne, dificilmente ela possui o fruto do Espírito. Porém, se ela apresenta o fruto do Espírito, mas, ainda assim, ainda falha em alguma(s) obras carnais, isto é, pecados ainda não abandonados, tal pessoa precisa buscar insistentemente a santificação. “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lasívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.” Gl 5.19-23). A importância do fruto do Espírito engloba os dois mandamentos de Cristo (amar a Deus sobre tudo e sobre todos, e amar ao próximo como a si mesmo). Todo dom que compõe o fruto do Espírito está relacionado aos dons que aqui serão apresentados nesta revista. Mas saiba que estes nove dons do fruto são primordiais na vida do cristão imprescindíveis até mesmo para o falar e o interpretar línguas e o profetizar.

V – Conclusão: 

O fruto do Espírito é o resultado de uma verdadeira busca de transformação através da oração. Tal fruto é a combinação de nove dons espirituais recebidos nesta busca. O amor (ou caridade) provém do conhecimento do amor de Deus e do despertar ao amor ao próximo, desejando espalhar este amor através de boas obras. A alegria nasce do entendimento que o Senhor se alegra com toda conversão e entrega a Ele. A paz é uma conseqüência de amor ao próximo, evitando incidentes que a desfaçam. A longanimidade é o sentimento de se manter paciente mesmo com aqueles que procuram provocar a ira nos outros. A benignidade vem do querer cuidar daqueles que precisam de algum tipo de apoio. A bondade é o querer o bem de todos, cuidando para que niguém seja privado da presença de Deus. A fidelidade provém da vontade de fazer tudo dentro da direção de Deus. A mansidão (ou resiliência) é o entendimento de que nem todos aceitam alguém que busca uma vida santificada, sem que isso impeça a mesma. A temperança (ou domínio próprio) é o sentimento de que, apesar de não se gostar de se sofrer julgamentos, deve-se relevar tais julgamentos, dominando as reações contrárias, a fim de ser exemplo; ou, como disse o Senhor Jesus: “Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te o vestido, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.” (Mt 5.38-41). Portanto, o fruto do Espírito é, essencialmente, um conjunto de dons que o Espírito Santo atribui aos que o recebem em seus corações por uma verdadeira conversão. Tal atribuição pode ocorrer tanto antes quanto depois do batismo com o Espírito Santo. Desenvolver o fruto do Espírito é essencial para uma vida em santidade. Portando, busque o aprendizado de uma vida espiritual completa. E não detenha o agir do Espírito Santo na sua vida!

L ição 3: Os melhores dons 

I – Introdução: 

Quando se fala dos melhores dons, está-se falando dos dons derramados pelo Espírito, e não dos dons naturais, isto é, as habilidades naturais, Todo dom é bom para edificar a vida de todo cristão. Paulo, ao falar dos melhores dons, cita dons tanto espirituais quanto ministeriais, mas não menciona todos. Mas registra que, apesar de haver variedade de dons entre os membros do corpo de Cristo, todos são necessários para uma boa condução da obra de Deus. Em sua conclusão, Paulo diz: “Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente.” (1 Co 12.31). Todos os dons são proveitosos para a obra de Deus, porém, ao nomear que existem dons que são melhores que outros, Paulo está falando de dons que não surgem naturalmente, mas que o Espírito Santo faz aparecer pela necessidade e pelo desejo da pessoa ser usada. Paulo, após falar dos dons provenientes do fruto do Espírito, exorta os cristãos de Corinto a buscar dons espirituais que edifiquem a igreja, como o dom de profecia (1 Co 14.1-4). E, em relação aos dons ministeriais, Paulo diz: “Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.” (1 Tm 3.1). Sobre os dons do fruto do Espírito, Paulo exalta a supremacia do amor/caridade, inclusive acima do dom de línguas (1 Co 13).

II – Três tipos de dons: 

Como mencionado anteriormente, há três tipos de dons: os que compôem ou derivam do fruto do Espírito, os espirituais propriamente ditos e os ministeriais. Tais especificações geram um verdadeiro conhecimento sobre a forma como o Senhor quer usar cada um dentro da obra revelada através da grande comissão (Mc 16.15-16).
1) Dons do fruto do Espírito: Formam o fruto do Espírito: a caridade, a alegria, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, fidelidade, mansidão e temperança. Derivam do fruto do Espírito: a resiliência, a paciência, a auto-doação e a esperança. Paulo faz a seguinte colocação: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade.” (1 Co 13.13). Então, não despreze o próximo e desenvolva o verdadeiro amor ágape (caridade) por ele.
2) Dons espirituais: Apesar de muitos acharem que não existe batismo com o Espírito Santo sem o falar em línguas, a bíblia revela que somente em dois momentos foi assim: no pentecostes e na ida de Pedro até a casa do centurião Cornélio, devido à presença de estrangeiros no local. Contudo, é preciso entender que os dons surgem conforme a necessidade. Os dons espirituais são: falar outras línguas, interpretar línguas, profetizar, curar, expulsar demônios, ministrar, ensinar, orar e coordenar.
3) Dons ministeriais: Dons ministeriais são os que estabelecem os ministérios dentro da igreja, isto é, cargos e funções que serão exercidos por pessoas diversas dentro da igreja. São dons ministeriais: pastores (o principal), bispos e presbíteros (iguais entre si), evangelistas, missionários, diáconos, mestres, doutores, cooperadores (ou ajudadores de plantão), grupos de oração. Além destes, há as versões femininas para quase todos, excetuando-se bispos, presbíteros e evangelistas. O ministério apostólico, apesar de alguns terem tentado prosseguir com ele dos fins do século I ao III DC, já não era possível, pois um dos pré-requisitos era ter conhecido a Cristo por convívio ou visão, o que não ocorreu mais.

III – A supremacia do amor: 

Em 1 Coríntios 13 Paulo revela a importância do amor/caridade acima de muitos outros dons. Ele é colocado acima do dom de línguas e do dom de profecias. Apesar das características de sofrimento, benignidade, despojamento, desprendimento, humildade e simplicidade, o amor não falha, e, nem mesmo a sabedoria se iguala a ele. Este texto, inclusive fala que dos dons provenientes do fruto do Espírito, somente a fé, a esperança e o amor permanecem. E, assim, a supremacia do amor torna-se evidente. É o amor que traz à tona o conhecimento de Deus pela evidência da reconquista da imagem e semelhança através da entrada do Senhor Jesus em sua vida. A supremacia do amor se revela em alguém que foi verdadeiramente transformado em nova criatura. Pois a palavra diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Co 5.17).

IV – Conclusão: 

O apóstolo Paulo é o principal instrutor da igreja de Cristo sobre os dons que podem ser recebidos e administrados pelos cristãos. Ao recomendar que se busquem os melhores dons. Paulo apresenta os argumentos para a busca de cada um deles. O fato de haver dons que são superiores a outros não significa que todos devem possuir os mesmos dons. Assim como o Senhor dá a medida da fé de cada um (Rm 12.3), assim também Ele distribui os dons conforme venha a capacitar cada um para exercê-los.

L ição 4: Viver e andar em Espírito 

I – Introdução: 

Apesar de, na Lição 2, já ter havido uma breve exposição sobre este assunto, é imprescindível buscar uma maior compreensão sobre a vida no Espírito Santo e o caminhar em Sua presença. O entendimento geral é que uma vida e o andar no Espírito não trata apenas da vida espiritual, mas do comportamento de cada um em cada situação da vida. Sendo assim, é indispensável a posse da convicção na fé professada, pois, somente desta forma, a vitória pode ser alcançada em Cristo. Uma fé convicta revela a necessida de se crer na verdade que diz que “o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.” (Dt 6.4), tendo a certeza que só Ele pode fazer a vida de cada um progredir para a salvação. Portanto, é preciso alcançar o entendimento da palavra dada pelo Senhor Jesus a Tome: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20.29).  

II – A importância da confissão da fé: 

O que é a fé? Segundo as Escrituras, “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem.” (Hb 11.1). Em termos analíticos, sem a confissão de fé não há salvação. “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido.” (Rm 10.8-11). Em sua substância, a fé é responsável pelo fortalecimento das relações entre os homens e o Deus que confessam em sua conversão. “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam.” (Hb 1.6).

III – Viver em Espírito: 

Viver em Espírito significa ter uma vida em comunhão com os ensinamentos de Cristo, resistindo às tentações do pecado e fazendo a vontade de Deus. Paulo diz que, para tanto, é preciso “que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.1-2). Mas, a questão é: Como alcançar isto? É preciso reconhecer a necessidade de ter a presença de Deus em todos os seus momentos. Para isto, “Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros como para com todos. Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo para com todos. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias, examinai tudo. Retende o bem abstende-vos de toda aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Ts 5.15-23). Neste proceder é alcançada uma vida santificada no Espirito Santo.

IV – Andar em Espírito: 

O que é andar em Espírito? Paulo diz: “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” (Gl 5.25). E Paulo completa esta frase, dizendo: “Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.” (Gl 5.26). Ou seja, se alguém consegue viver uma vida em santificação diária. Em verdade, andar em santificação ou em Espírito significa saber que cada um recebe ou receberá os dons conforme o Senhor observar a necessidade e a disponibilidade do cristão. Quem anda em Espírito não se julga melhor que outros, não inveja o dom de outros e não se exalta pelo fato de ser usado por Deus. O dom espiritual não é dado por competência, pois quem capacita é o Senhor; não é dado a quem é obrigatotiamente dizimista, mas a quem é fiel, indepedente do tipo de contribuição que faça à igreja; nem é exclusividade a quem possui posição ministerial, pois até um novo convertido pode receber dons, se for da vontade do Senhor. Então, andar em Espírito é andar em amor, obediência, fé, verdade, paz e santificação diante de Deus.

V – Conclusão: 

Todo cristão que busca revestimento de poder e ser dotado espiritualmente deve tomar cuidado com os enganos promovidos pelo diabo, que se põem como falso orientador e diz que a pessoa deve buscar o dom de outrem, ser melhor que a maioria, mostrar eficiẽncia e cobiçar posições. Tudo isso é engano e leva ao pecado e ao afastamento de Deus. É evidente que a busca pelos melhores dons, a santificação e o amor são essenciais para o viver e o andar em Espírito. Então, cada um deve fazer a sua parte e procurar vencer a si mesmo, abastendo-se dos sentimentos carnais que os levem à reprovação do Senhor. Assim sendo, lembre-se das palavras de Cristo: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26.41).

L ição 5: Oração 

I – Introdução: 

Assim como muitas das práticas cristãs, a oração é essencial para o fortalecimento da fé. E a fé, como atributo primordial para a salvação. Pela fé vem a graça, a qual exige uma prática diária de oração e clamor ao Senhor. Por objetividade, a questão do orar revela que não se pode ou se deve orar apenas para se fazer petições a Deus. O objetivo principal da oração deve ser o de melhorar e tornar mais próximo o relacionamento com Deus. Em expressa convicção de fé é determinado o poder da oração. De forma comprovadamente eficiente, há diversos aspectos que precisam ser relatados aqui. Dos objetivos até as minúcias que venham a compor as orações, é precisor entender e compreender que nem tudo o que se fala sobre a oração é absoluto ou específico para sua eficácia. Não há fórmulas perfeitas. Então, passemos aos principais pontos que dão relevância à oração.

II – Os objetivos da oração: 

Se fosse necessário definir objetivos gerais e específicos da oração, poder-se-ía dizer que os gerais compreendem o aprimoramento da comunicação com o Senhor e uma total revelação de si mesmo por parte do cristão a Deus. Quanto aos específicos, isto dependerá do tipo de oração feita.
1) Orações de petições: São orações que visam alcançar a graça e a bênção de Deus para que algo ou alguma coisa seja obtido.
2) Orações de agradecimento: São orações em que apenas se agradece pela providência do Senhor em todas as coisas. 3) Orações de louvor: Orações de louvor são as que são feitas apenas para engrandecer o nome do Senhor.
4) Clamor ou súplica: Apesar de se enquadrar como uma forma de petição, o clamor foi separado na classificação por se tratar de uma forma mais intensa de oração.
III – A forma certa de se orar: 
O Senhor Jesus ensina algo muito importante ao dar uma fórmula para a oração. Ele diz: “E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” (Mt 6.5-15). O Senhor Jesus dá este exemplo de oração como um modelo a ser seguido, e não como um texto a ser decorado e repetido todos os dias. Contudo, Cristo diz para orar no quarto, em secreto. Mas, Paulo diz: “Orai sem cessar.” (1 Ts 5.17). Então, como cumprir as duas coisas? Estar em oração não quer dizer transparecer que se está orando. Haverá sempre como orar sem cessar sem precisar estar trancado no quarto ou mostrando a todos que se está orando.
IV – Orações públicas e orações privadas: 
Estas são as orações realizadas em comunhão, onde duas ou mais pessoas participam. Também são assim chamadas as orações feitas durante um culto na igreja ou em um evangelismo, seja na rua ou em algum lar, onde tenha sido solicitado o culto. Outro tipo de oração pública é a que se faz antes das refeições, em cerimoniais religiosos e em confraternizações evangélicas. É muito importante que a oração seja feita objetivamente, de forma humilde e sem excessivas considerações, pois o Senhor sabe tudo o que há em cada coração. O que se deve saber é que não é o tamanho ou a insistência da oração que a faz eficiente, mas o depósito da fé colocado nela. O perdão na oração é imprescindível. Basta lembrar do que escreveu Tiago, o irmão do Senhor: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tg 5.14-16). Quando Tiago fala sobre orar uns pelos outros, está inclusa neste contexto as intercessões que são feitas por outras pessoas por diversos motivos. É importante ressaltar que, quando alguém se propõe a interceder por outra pessoa, deve suportar a carga dos problemas que a pessoa está passando, ou dos pecados que esteja vivendo. A intercessão é feita através do clamor e da súplica, e seus resultados podem ser imediatos ou não. Orações de campanha são públicas e devem ser feitas durante os cultos, pelo prazo determinado para a mesma. Quando a campanha é doméstica, deve estabelecer o propósito pelo qual ela é feita e ser realizada pelo prazo determinado. Campanhas não devem ser quebradas, ainda que o resultado venha em menos tempo. Respeitar a campanha, cumprindo-a, é uma demonstração de convicção na fé.
V - Conclusão: 
O poder da oração está diretamente ligado à fé que se possui. Uma oração sem fé é como um carro sem rodas, isto é, não tem utilidade. Não basta orar apenas em horários determinados, deve-se orar constantemente, indepedente do que se possa estar fazendo. Por fim, lembre-se da importância da oração da fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus.

Lição 6: Jejum 

I – Introdução: 

O que vem a ser o jejum? Jejum é a mortificação do corpo pela autoprivação de alimentos, a fim de santificar o corpo para uma vida ainda mais espiritual. Na lei mosaica não existe a palavra jejum, mas é falado sobre “afligir a alma de alguém”, onde o jejum pode incluir o jejum (Lv 16.29,31; 23.27,32; etc.), pois significa rebaixar-se ou humilhar-se pela autonegação como uma expressão própria de arrependimento (Dicionário Wycliffe, p. 1016, publ. De junho/2018). O jejum implica na abstinência de alimentos, mas, ao contrário do que muitos acreditam, não inclui a privação de água. O fato de Moisés ter jejuado duas vezes por 40 dias e quarenta noites, abstendo-se de alimentos e água, mostra o sustento divino, pois, ao ser humano, sobreviver tanto tempo sem água é impossível. O Dicionário Wycliffe diz que: “Em longos períodos de jejum, a fome geralmente cede no final do terceiro dia e não retorna até que as reservas de alimento armazenadas nos tecidos do corpo sejam consumidas” (p. 1017). Cada um tem um tempo em que tais reservas acabam e, mesmo assim, tais reservas podem durar 40 dias ou mais (p. 1017).

II – Motivações ao jejum: 

“Na maioria dos casos na Bíblia, o jejum pode ser visto como um resultado normal e voluntário do estado de espírito do homem.” (Dic. Wicliffe, p. 1017). Com efeito, a prática do jejum poderia ter motivações diversas: Moisés, no jejum que fez duas vezes, estava totalmente absorvido pelas revelações do Senhor e não se deu conta do tempo que passou ali; Davi jejuou por arrependimento pelos pecados cometidos, querendo livrar a criança que teve com Bate-Seba da morte; Elias jejuou para poder caminhar aquela longa distância entre o vale de Querite e Sarepta sem que precisasse parar pelo caminho; Ester decretou um jejum ao povo israelita para buscar uma solução em Deus que os livrasse da morte; o Senhor Jesus jejuou para santificar o Seu ministério – apesar de, por Ele mesmo ser Deus, não ser visto como necessário, mas Ele o fez para ser um exemplo a todos, inclusive aos cristãos de hoje. “Os primeiros cristãos pensavam que o jejum era benéfico enquanto buscavam a vontade e a direção de Deus (At 13.2,3; 14.23). Durante um período de três semanas de autoquebrantamento, e buscando entender o futuro, Daniel não comeu nenhum “manjar desejável”, isto é, iguarias, nem carne nem vinho (Dn 10.2,3). Tal jejum parcial pode ser uma ajuda eficaz para a concentração espiritual e para a oração. Pode ser aconselhável para aqueles que precisam se manter ativos, ou para aqueles que sejam fracos demais para suportar um jejum total.” (Dic. Wycliffe, 1017). Em todo caso, a prática do jejum não deve ser utilizada para mostrar aos outros que se está jejuando. Ao contrário da prática da Antiga Aliança, o Senhor Jesus diz que “quando jejuardes, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto” (Mt 6.17-18a).

III – O jejum que agrada a Deus: 

É preciso compreender o que o Senhor quer dizer quando fala ao profeta Isaías sobre tal assunto. O capítulo 58 do livro deste profeta diz: “Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó, os seus pecados. Todavia, me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos; como um povo que pratica a justiça e não deixa o direito do seu Deus, perguntam-me pelos direitos da justiça e não deixa o direito do seu Deus, dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas, e tu o não sabes? Eis que, no dia em que jejuais, achais o vosso próprio contentamento e requereis todo o vosso trabalho. Eis que, para contendas e debates, jejuais, e para dardes punhadas impiamente; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que eu escolheria: que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao Senhor? Porventura não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto e recolhas em casa os pobres desterrados? E, vendo o nu, o cubras e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda.” (vv 1-8). Identificando a vontade do Senhor por este texto, vê-se que a vontade do Pai é que haja verdadeira auto-humilhação e entrega, sem que isto seja mostrado aos demais, pois o Senhor conhece os corações e o que neles há. O profeta Joel apregoou o arrependimento, em conformidade com a prática antiga de vestir-se de saco e cobrir-se de cinzas. E disse: “Santificai um jejum, apregoai um dia de proibição, congregai os anciãos e todos os moradores desta terra, na casa do Senhor, vosso Deus, e clamai ao Senhor.” (Jl 1.14). O povo estava em pecado pela adoração a deuses estranhos, e precisava de um exemplo que partisse dos próprios sacerdotes para a obtenção do perdão. A lei não dava ao povo a alternativa de manter em si a verdade e a fé. Por isso, a Nova Aliança veio para mudar todas as coisas.

IV – Conclusão: 

Apesar de o Senhor Jesus jamais ter dito aos apóstolos para jejuarem, quando um pai levou o filho endemoninhado a Jesus, porque os discípulos não conseguiram expulsá-lo, o Senhor o fez sem dificuldade, repreendendo o demônio que nele havia e ordenando que deixasse o rapaz para não mais voltar. “Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo? E Jesus lhes disse: Por causa da vossa pequena fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá – e há de passar; e nada vos será impossível. Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum.” (Mt 17.19-21). Assim sendo, procure, com discernimento espiritual, compreender que o jejum não deve ser praticado por motivos conflitantes com a palavra do Senhor, não precisa ser realizado toda semana e não exige longos períodos de observância, mas deve ser realizado por arrependimento, para exercício do ministério dado por Deus e para agradecer pela obra do Senhor em sua vida. A graça não contempla um exército de ordenanças sem temor ou práticas determinadas sem amor verdadeiro.

Lição 7: Dons espirituais: 

I – Introdução: 

Todo aquele que se torna cristão, através de uma conversão sincera, passa a buscar uma maior comunhão com Deus, a fim de receber o revestimento de poder, e receber dons para atuar na obra do Senhor de forma efetiva. A bíblia apresenta uma grande variedade de dons, apresentando-os conforme sejam apropriados ao assunto tratado. Existem três tipos de dons: os dons do fruto do Espírito (já tratados no contexto das lições 2 e 3), os dons espirituais e os dons ministeriais. Esta lição visa apresentar os dons espirituais que serão tratados nas lições de 8 a 16. Tais dons são apresentados pelo apóstolo Paulo e, conforme se observa em seus textos, provêm da ação do Espírito Santo, que os confere a cristãos fiéis, capacitando-os para o que lhes seja necessário fazer na obra do Senhor. Dons espirituais não são talentos naturais dos cristãos, como dito acima, são distribuídos pelo Espírito Santo conforme os cristãos os busquem e haja necessidade deles em suas atividades.

II – Uma ação do Espírito Santo: 

Assim como o Pai e o Filho, o Espirito Santo é onipresente, onisciente, onipotente, eterno e imutável. Como Deus, Ele também age de diversas formas para o desenvolvimento da fé – que é o primeiro dom derramado por Ele. “Em 1 Coríntios 12.14, Paulo explica a unidade, a diversidade, a distribuição, a ordem, a motivação, a permanência, o valor relativo e o uso dos dons espirituais. Com relação à sua unidade, todos eles são dados, administrados e energizados ou inspirados pelo mesmo Deus trino e Uno (12.4-6,11). O único propósito do Espírito Santo ao outorgar esses poderes aos cristãos é sempre o de glorificar a Cristo (12.3), para o benefício e o bem comum de todos (12.7).” (Dic. Wycliffe, p. 582). Paulo explica detalhes dos dons, enquanto Pedro limita-se a falar deles genericamente. Os dons são distribuídos conforme a vontade do Espírito Santo (1 Co 12.11), podendo eles permanecerem ou não no cristão. “Quanto ao uso adequado dos dons espirituais, Paulo instrui cuidadosamente a igreja de Corinto quanto à manifestação ordenada dos dons de expressão oral nas suas reuniões. Somente deve falar um por vez – e este deve permitir que os outros coloquem sua mensagem à prova – para evitar confusões e para que todos possam ser edificados (1 Co 14.26-40). Para corrigir os abusos, ele não proíbe a prática dos dons, mas termina dizendo: “faça-se tudo decentemente e com ordem” (v. 40).” (Dic. Wycliffe, p. 583).

III – Os dons espirituais e o fim do apostolado: 

“Quanto à continuidade ou permanência dos dons, existe muita diferença de opiniões. Obviamente, o ofício do apostolado foi retirado. Não existe prova nas Escrituras da sucessão apostólica dos líderes da igreja indicados por Cristo. Em um sentido secundário, no entanto, muitos missionários fizeram o trabalho dos apóstolos com extraordinários dons e bênçãos de Deus.” (Dic. Wycliffe, p. 582). Os dons espirituais nunca foram exclusividade dos apóstolos. Inclusive, eles nunca estiveram vinculados à necessidade de um ofício ministerial. Como dito anteriormente, é o Espírito Santo quem distribui os dons quando, como e a quem quer. Quando Paulo instrui sobre os dons de expressão oral, a fim de que possam ser comprovados, isto se dá para que não haja falsos dons praticados na igreja. Ainda assim, há muitos que profetizam sem revelação alguma, inventam línguas para dizerem que são batizados com o Espirito Santo e, até, mentem descaradamente sobre coisas que a bíblia não diz para parecerem grandes pregadores. Deve-se ter muito cuidado com enganadores para que o corpo de Cristo não sofra perdas por isso. “Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui ou ali, não lhes deis crédito, porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mt 24.23-24).

IV – Conclusão: 

Dons espirituais são concedidos pelo Espírito Santo para crescimento e propagação da obra de Cristo sobre a terra. Porém, muitos espíritos enganadores têm surgido para desviar os cristãos do caminho da verdade. É preciso estar vigilante e buscar a Deus sempre, para que não ocorram enganos ou quedas da fé. As Escrituras dão o ensino indispensável para que os dons espirituais sejam buscados, e, pela vontade do Espírito, sejam concedidos aos cristãos fiéis. Quando se souber de não-cristãos que praticam dons, na verdade, a sabedoria de Deus mostrará que isto também é uma ação satânica para desviar a muitos. Lembre-se: “Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Ts 5.21).

Lição 8: Falar em línguas 

I – Introdução: 

A glossolalia (glossa = língua; lalia = falar) – ou o dom de falar outras línguas –, é um dos dons espirituais mais comentados no Novo testamento. Por um tempo, as igrejas acataram a definição de era o dom que evidenciava o batismo com o Espírito Santo, porém, a maior parte das denominações cristãs já entende que esta não é uma verdade absoluta. No Pentecostes, onde estavam os seguidores de Cristo havia muitos estrangeiros. Ali, o dom de línguas foi manifesto para que todos entendessem a mensagem de Cristo (At 2;3). Na ida de Pedro à casa do centurião Cornélio, entre os que estavam presentes, havia gregos, romanos, indianos, pessoas da Mesopotâmia, da Pérsia e outros (At 10). Em outros momentos, este dom não foi evidência. O Espírito dá este dom a quem Ele saiba que saberá usá-lo através de Sua capacitação. Não quer dizer que quem não recebe tal dom não seja batizado no Espírito.

II – O que são línguas estranhas? 

Línguas estranhas são assim denominadas devido ao desconhecimento daqueles que receberam o revestimento de poder sobre tais idiomas. Não eram línguas inventadas ou criadas. Mas, podem ser idiomas considerados mortos, por não serem mais encontrados no mundo. Quando Paulo faz considerações sobre a língua dos anjos, ele não está considerando que os anjos falem línguas ininteligíveis aos homens. Basta lembrar que anjos falaram com vários dos homens do povo escolhido de Deus, até com Maria de Betânia e Maria Madalena. O que Paulo quer dizer é que, ainda que eles falassem uma língua desconhecida, esta não seria tão importante quanto o dom de amar. Obviamente, há a possibilidade de alguém ser movida a falar em outra língua dentro da igreja, sem que haja qualquer pessoa que fale aquele idioma. No entanto, há uma comparação que Paulo faz com o dom de profecias que é importante mencionar: “Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim, também vós, se, com a língua, não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Porque estareis como que falando ao ar. Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro para aquele a quem falo, e o que fala será bárbaro para mim. Assim, também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja. Pelo que, o que fala língua estranha, ore para que a possa interpretar. Porque, se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto o Amém sobre a tua ação de graças, visto que não sabes o que dizes? Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado. Dou graças ao meu Deus porque não falo mais línguas do que vós todos. Todavia, eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida.” (1 Co 14.8-19).

III – Sobre a ordem no culto: 

O falar em línguas deve fazer parte da ordem do culto, quando ocorre no mesmo. O respeito a uma organização do culto serve para que o entendimento da mensagem seja devido. Sobre este assunto, Paulo diz: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. E, se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quando muito, três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus.” (1 Co 14.26-28). Neste contexto, Paulo quer que os dotados de línguas estranhas tenham o entendimento de que, sem intérprete, não se deve pronunciar qualquer palavra em outro idioma, pois não os dons que devem governar o cristão, mas o cristão deve, com todo o discernimento, governar os dons recebidos em respeito à ordem do culto. Também não deve haver mais de um falando em línguas ao mesmo tempo, mas, sim, um por vez.

IV – Cristo não utilizou o dom de línguas: 

O Senhor Jesus não precisou utilizar o dom de línguas. Conforme Ele disse à mulher cananéia, Ele veio apenas para as ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 15.24). Um detalhe: a mulher era cananéia não por pertencer ao povo cananeu, mas por ser de Caná da Galiléia. Em Caná havia muitos homens casados com mulheres estrangeiras. Esta é a possibilidade para este caso. O Senhor Jesus não viajou para outras nações, nem foi pregar a povos não israelitas. No caso dos dez leprosos, quando apenas o samaritano voltou para dar glórias a Deus (Lc 17.11-19), é preciso lembrar que, apesar da miscigenação em Samaria, esta ainda fazia parte de Israel, como capital. A rivalidade entre judeus e israelitas não impediu o Senhor de pregar a ambos (ver Jo 4.1-30). Não havia (como jamais haverá) impedimentos para o agir de Cristo sobre quaisquer povos, mas Ele veio para pregar ao povo escolhido pelo Pai e para preparar os que iriam pregar a outros de fora deste povo, que, porém, aceitariam e creriam no evangelho que apresentara.

V – Conclusão: 

Apesar de muitas igrejas colocarem o dom de línguas como a principal evidência do batismo com o Espírito Santo, Paulo deixa claro o equívoco quanto a isto ao interrogar os coríntios, dizendo: “Porventura são todos apóstolos? São todos doutores? São todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente.” (1 Co 12.29-31). Ele escreveu estas palavras para que todos pudessem entender que nem todos teriam os mesmos dons. Quanto aos outros povos, antes de comissionar os apóstolos a pregarem o evangelho por todo o mundo (Mt 28.19-20; Mc 16.15), o Senhor Jesus já havia declarado: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor.” (Jo 10.16).

Lição 9: Interpretação de línguas 

I – Introdução: 

Talvez este seja o dom mais raro da atualidade, já que existem muitos cursos de línguas hoje em dia. Entretanto, não há cursos que ensinem línguas mortas em sua totalidade. Ainda assim, é um dom requisitado para quando se faz o uso de outras línguas na igreja. Sem a presença do intérprete não há edificação na igreja, pois o falar em línguas só edificará espiritualmente quem fala. Porém, quando há intérprete, toda a igreja é edificada. Contudo, a importância da interpretação está relacionada com a origem da língua e com quem realmente a provê, pois o diabo também pode usar o artifício da língua para enganar cristãos. T. L. Osborn escreveu em seu livro “O Propósito do Pentecostes”: “Falar em outras línguas não é suficiente. Uma vez que os adeptos de religiões não-cristãs, ateístas, agnósticos são apresentados por nós ao cristianismo, devemos ser o canal dos milagres, que convencem aos homens de que Cristo vive e que Ele é real hoje e sempre.” (p. 73). A questão que o Sr. Osborn apresenta está relacionada com as crenças desses não-cristãos, pois muitos povos acreditam que feitiçarias, dinheiro e prostituições diversas resolvem seus problemas. E, de nada adianta o falar em línguas sem que alguém a interprete para que outros entendam o que se diz.

II – O necessário entendimento: 

Em muitos momentos de cultos diversos, por um impulso espiritual natural, pessoas falam em outras línguas sem que haja quem interprete. Não há, desta forma, edificação na igreja. A função da interpretação é possibilitar esta edificação, assim como a profecia edifica a todos por si só. Paulo já falava outras línguas por ter cidadania romana e por ter estudado muito fora do país. Ele viajou por diversos lugares em sua vida missionária, desde Ásia, Macedônia e Mesopotâmia, até Grécia e outros países. Pedro, por sua vez, era apenas um pescador, mas, ao se tornar “pescador de homens” e receber o revestimento de poder, foi capacitado a falar com outros povos. Isto ocorreu para que o evangelho fosse propagado de forma efetiva.

III – Falsas interpretações e falsos intérpretes: 

Assim como existem falsos mestres e falsos apóstolos, também existem pessoas que fingem falar em línguas e outras que fingem interpretá-las. Mentir sobre dons é um pecado que o Senhor certamente abomina. Está escrito que: “quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte.” (Ap 21.8). A indicação de que línguas e interpretações sejam praticadas, ou que sejam representadas falsamente, traz consigo a lembrança das palavras do Senhor Jesus, que diz: “Vede; não vos enganem, porque virão muitos em meus nome, dizendo: Sou eu, e o tempo está próximo, mas o fim não será logo.” (Lc 21.8). Nenhum dom fingido trás real resultado ou edificação na obra do Senhor. Contudo, se for da vontade do Senhor, até a mentira pode ser convertida em verdade.

IV – Conclusão: 

A interpretação de línguas é essencial em um culto onde há quem fale em outras línguas. Paulo diz que “se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus.” (1 Co 14.28). Portanto, o falar em línguas desenfreado não agrada ao Senhor quando não há interpretação. Contudo, não se pode negar que, em alguns casos, há o impulso do Espírito Santo para o falar em línguas, ainda que não haja intérprete. Nestes casos, faz-se necessária certa moderação no uso do dom, pois é preciso lembrar que não é o dom que controla o cristão, mas o cristão que controla o dom. O mundo atual comporta diversos cursos de idiomas, sendo difícil discernir quem possui o dom de línguas realmente, quem faz uso do aprendizado que adquiriu em um curso ou quem apenas finge tudo. No entanto, o Senhor usa quem quer e quando quer da forma que quer.

Lição 10: Dom de curar 

I – Introdução: 

O que é o dom de curar? Durante o seu ministério, o Senhor Jesus curou muitas pessoas, pelo poder que Lhe é natural. Porém, Ele também disse: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para o meu Pai.” (Jo 14.12). O dom de curar, ou a cura divina, pode ocorrer de duas formas: por ministração direta, ou por oração pela cura. Contudo, nenhuma cura ocorrerá sem que haja fé, tanto de quem ministra ou ora, quanto de quem recebe a ministração ou oração. Em verdade, há aspectos importantes a serem vistos. Deve-se, também, levar-se em conta o tipo de enfermidade a ser curada. Então, vejamos os tipos de enfermidades e as formas de ministração e oração a serem aplicados.

II – Tipos de enfermidades: 

1) Enfermidades biológicas: São enfermidades que surgem por queda de imunidade ou por exposição a agentes biológicos nocivos à saúde. São comuns os tratamentos medicamentosos, apesar de nem sempre serem eficientes.
2) Enfermidades espirituais: São enfermidades geradas por espíritos malignos ou imundos que se apoderam de quem as apresenta em si. Muitas vezes, tais enfermidades são vistas equivocadamente como problemas mentais.
3) Enfermidades da alma: São causadas por decepções e tristezas que surgem na vida da pessoa. Na verdade, também são geradas por demônios, os quais percebem o estado emocional para se apoderarem da pessoa.
4) Síndromes: São fatores biológicos e espirituais que interferem no cotidiano de quem as possui. Em geral, são detectadas pelos médicos antes do nascimento. Também, vêm como prova aos pais, os quais podem buscar tratamentos medicinais e espirituais ao mesmo tempo, apesar de se saber que somente o Senhor cura tais doenças.

III – Ministrações de cura: 

A cura divina decorre de uma ministração que pode ser realizada de duas formas: pelo dom do toque de cura pela unção espiritual, ou pela oração da cura. O toque da cura é um dom que provém da unção do Espírito Santo para a capacitação a este tipo de milagre. Poderia estar classificado dentro do dom de operação de milagres, mas, o próprio apóstolo Paulo separa o dom de curar. Há quem pense que pode curar alguém simplesmente pela fé, e, se a fé for verdadeira e não vacilante, isto pode se tornar uma realidade, mas o toque da cura é atribuído a poucos, conforme a vontade do Espírito. Um exemplo era a cura proporcionada pela grande fé que veio pela pregação dos apóstolos após o revestimento de poder, pois, está escrito que “a multidão dos que criam no Senhor, tanto de homens como mulheres, crescia cada vez mais, de sorte que transportavam os enfermos para as ruas e os punham em leitos e camilhas, para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles.” (At 5.14-15). Tais pessoas criam que, pela sombra de Pedro, poderiam alcançar a cura. Mas ele os fazia saber que, não ele, mas Cristo, era quem os curava. Essas pessoas já haviam sabido do coxo que havia sido curado por Pedro e João na entrada da porta Formosa do templo (At 3.1-8). A cura através da oração faz parte dos vários aspectos inerentes ao dom de orar, então, será vista ao tratar desse dom. contudo, é preciso tomar cuidado com os enganadores de hoje e, no futuro, com a ação do anticristo e do falso profeta, que também terão este dom.

IV – Conclusão: 

O desenvolvimento da fé, a busca pelos dons espirituais, a unção do Espírito Santo, a fidelidade para com Deus e a consagração diária trazem consigo a possibilidade do dom de curar e outros dons que contribuem para o fortalecimento da fé. Sabe-se, no entanto, que, em certos casos, o propósito de Deus para um certa vida não é a recuperação da saúde, mas a morte, que pode estar relacionada a diversas outras coisas, como: o recolhimento do enfermo aos santos; a condenação alcançada por outro devido à blasfêmia contra o Espírito; a misericórdia de Deus quanto ao sofrimento em que tal pessoa vive; e muitos outros motivos. Portanto, não se perturbe ou deixe o seu coração aflito se, após alcançar o dom, ver alguém falecer, pois você não conhece os propósitos do Senhor.

L ção 11: Dom de expulsar demônios 

I – Introdução: 

Sendo um dos ministérios que exige mais comprometimento com a consagração e a santificação de quem é despertado para ele, o dom de expulsar demônios revela uma maior ligação com a vontade de Deus, uma forte relação de entrega à espiritualidade e, também, grande dedicação à prática da oração e do jejum. Não obstante, quem recebe este dom precisa renovar sua fé diariamente. Como em todos os outros dons, a expulsão de demônios depende do uso que Deus queira fazer de quem o possui. Qualquer forma de representação sem verdade para este dom pode gerar uma possessão na vida de quem mente sobre ele. Vejamos, agora, sobre verdades e mentiras a respeito deste dom. Certamente, há aspectos que são explicados de forma simples, mas, todos são estudados no campo da demonologia – área da teologia que trata da atuação dos demônios no mundo. Vejamos o que a bíblia nos mostra e o que pode ser revelado aqui.

II – O demônio do suicídio: 

A história do jovem lunático conta que este jovem era afetado por um espírito mudo que buscava fazê-lo matar-se, pois o fazia se atirar no fogo ou tentar se afogar. Na história, conta-se que “um da multidão, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo; e este, onde que que o apanha, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai-se secando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam. E ele, respondendo-lhes, disse: Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo. E trouxeram-lho; e, quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência; e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, espumando. E perguntou ao pai dele: Quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse-lhe: Desde a infância. E muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos. E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade. E Jesus, vendo que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai dele e não entres mais nele. E ele, clamando e agitando-o com violência, saiu; e ficou o menino como morto, de tal maneira que muitos diziam que estava morto. Mas, Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou. E, quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que o não pudemos nós expulsar? E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum.” (Mc 9.17-29). Em análise, o demônio agia sobre o menino como uma crise epilética acompanhada de loucura. No entanto, a divindade de Cristo demonstrou o Seu poder para libertá-lo. E, por fim, o Senhor Jesus dá a receita para os que possuem o dom alcançarem o sucesso contra este tipo de espírito imundo: oração e jejum. Logicamente, o Senhor Jesus, sendo Deus, não precisava jejuar. Mas, ainda assim, Ele dava sempre o exemplo, para que nada fosse feito de qualquer forma, sem, efetivamente, buscar no Pai a força e o revestimento de poder necessário para tal proceder. O jejum, sendo uma parte essencial da busca pela santificação, trará resultados, desde que quem o faça não esteja refém do pecado.

III – Legião de demônios – violência gratuita e homicídio: 

No caso de Maria Madalena (Lc 8.1-3), não havia uma legião, mas sete demônios que, provavelmente, devido a uma vida pecadora, tomaram seu corpo para que ela sofresse até que decidisse tirar a vida de alguém, ou a dela própria. Com tais demônios, ela não teria paz em sua vida. Há dois casos emblemáticos de pessoas com mais de um demônio no corpo na bíblia: um homem de Gadara, dominado por uma legião de demônios; e Maria Madalena, de quem o Senhor Jesus expulsou sete demônios. Na história do endemoninhado gadareno(Mt 8.28-34; Mc 5.1-20; Lc 8.26-39), vê-se um homem que, devido ao excesso de demônios em seu corpo, demonstrava tão grande força, que nem mesmo as mais fortes cadeias de ferro conseguiam mantê-lo preso. Tomando-se por base o exército romano, uma legião era formada por uma média de dois mil soldados, o que revelava a total incapacidade daquele homem livrar-se dela por conta própria. Devido a isso, o endemoninhado intimidava as pessoas, pois os demônios impulsionavam-no para o mal. Ele seria capaz até de matar alguém. Se, no presente, for constatada uma possessão deste nível, sabe-se que tal pessoa poderá fazer ainda pior, pois poderá transformar o possuído em assassino, estuprador, homicida e, até, torturador. Entretanto, também é preciso falar do demônio que gera depressão e que busca levar a pessoa ao suicídio. Ao tentar levar alguém a dar cabo de sua própria vida o diabo quer quebrar totalmente a comunhão entre tal pessoa e o Senhor. O evangelho diz que Satanás entrou em Judas Iscariotes (Lc 22.3), porém não diz em nenhum momento que ele saiu. Devido à presença do maligno, Judas decidiu devolver as trinta moedas de prata e sair para se enforcar (Mt 27.5). Judas não foi liberto e cumpriu o propósito para que foi chamado a seguir o Senhor Jesus. A única maneira de vencer uma possessão e pela expulsão da mesma sob a autoridade do Senhor Jesus Cristo.

IV – Falta de unção: 

A palavra exorcismo significa cerimônia ou ritual para expulsar demônios. Dos cerimoniais de exorcismo participam, muitas vezes, pessoas que não possuem condições ou não estão preparadas para tal situação. Ninguém recebe o dom de expulsar demônios porque quer, mas depende da vontade do Espírito Santo em usar a quem busca o dom. No livro de Atos dos Apóstolos há uma história sobre o infortúnio de quem tenta praticar tal ritual sem possuir o dom. Assim está escrito: “E alguns dos exorcistas judeus, ambulantes, tentavam invocar o nome do Senhor Jesus, sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes. Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus e bem sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno e assenhoreando-se de dois, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa.” (At 19.13-16). Aqueles homens não poderiam fazer nada através da fé de outra pessoa, mas tentaram, pois eles mesmos não a possuíam. É por conta disso que não se deve exercer o dom que não se tem. De forma alguma isso trará resultados. É imprescindível que se tenha conhecimento de Deus e ter a Cristo como único, exclusivo, suficiente e poderoso Salvador, tendo o discernimento de que a fé precisa existir com convicção, e ser exercida em todos os momentos.

V - Outros tipos de demônios: 

Existem outros tipos de demônios que, mesmo atuando sozinhos, são capazes de destruir muitas vidas. Eles agem despertando nos que os têm em si uma busca que consiste em idolatria, prostituição, adultério, creptomania, lascívia, vícios diversos, incontinência, glutonaria, etc. Todos podem e devem ser expulsos debaixo de muita oração, havendo, verdadeiramente, o dom em quem for realizar a ação. Nunca busque fazer isto sozinho, a não ser que não haja outra solução. Contudo, se for fazer, tenha a convicção de que o pode, para que o nome do Senhor não seja declarado em vão. Além disso, não se exponha e não queira passar pela mesma humilhação que os filhos de Ceva sofreram por tentarem utilizar a fé de Paulo em Cristo para realisar um exorcismo. Contudo, nem todo pecado é provocado por demônios: há aqueles que são praticados por falta de vigilância e de temor. É preciso lembrar que a natureza humana é pecadora, e que, sem vigilância e oração não se vence a tentação. A única maneira de vencer, neste caso, é fortalecendo mais e mais a relação com o Senhor.

VI – Conclusão: 

No campo da demonologia, ao se estudar os anjos que caíram junto a Lúcifer, diversas categorias são estudadas. E sabe-se que, devido a isso, existem uns que são piores que outros. Por isso, ao expulsar demônios, ou tê-los expulsos de si, é preciso que haja instrução ao que foi liberto para preencher o lugar que antes era do diabo com as coisas de Deus. Isto é, é preciso: orar sempre, vigiar sempre, buscar conhecimento de Deus nas Escrituras Sagradas, ir à igreja com freqüência, estar em contato constante com o seu pastor e alimentar a própria fé com tudo isso. Em alguns casos, a pessoa pode buscar fortalecer a própria fé em orações, jejuns e leitura da palavra de Deus, alcançando bons resultados e gerando uma forte barreira às investidas do diabo. Sem vigilância, o que ocorre é: “quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má.” (Mt 12.43-45). Logo, é preciso discernir todos os aspectos inerentes à possessão demoníaca.

Lição 12: Dom de profecia 

I – Introdução: 

Sendo um dom espiritual que Satanás pode usar falsamente para enganar até os escolhidos, a profecia deve ser cuidadosamente observada. É preciso, porém, ter a consciência de que o tempo de cumprimento de uma profecia está nas mãos de Deus, e só Ele o conhece. Discernir e saber, dentre muitas profecias, quais são verdadeiras, e quais são falsas, depende de olhos espirituais bem abertos, a fim de não seguir por profetadas e revelamentos, isto é, falsas profecias e revelações.

II – Um dom superior: 

Edificar o corpo de Cristo, através do ensino bíblico e das muitas pregações, traz à baila a verdade sobre a necessidade do despertamento dos dons e talentos espirituais para crescimento da obra de Deus. Em termos práticos, tal despertamento tem a função de edificação da igreja, sabendo-se que, segundo Paulo, o dom de profecia é superior ao dom de línguas, “Porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém entende, e em espírito fala de mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação. O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja.” (1 Co 14.2-4).

III – A unção de Isaías: 

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo. Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. E os umbrais das portas se moveram com a voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos! Mas um dos serafins voou para mim trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com ela tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e purificado o teu pecado.” (Is 6.1-7). Diferentemente de outros profetas bíblicos, Isaías foi ungido pelo próprio Deus, através da brasa viva levada pelo querubim para a purificação dele. E, por ser uma visão, o temor de Isaías era justificado por ele pensar que estava realmente diante do trono de Deus. Isaías foi um profeta totalmente fiel ao Senhor e que cumpriu tudo o que o Senhor lhe ordenou. Ao invés de um chamado para a sua vida, o Senhor utilizou uma visão que o fez dispor-se a ser enviado por Ele em missão. Isaías dá o verdadeiro exemplo de quem aceita o chamado de Deus ao receber o dom de profecia e se dispor à missão para o qual ninguém ainda fora enviado a cumprir.

IV – O chamado de Jeremias: 

Jeremias começou o seu ministério de profeta nos tempos do rei Josias. Ele conta: “Assim veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Antes que te formasse no ventre, te conheci; e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta. Então disse eu: Ah! Senhor Jeová! Eis que não sei falar; porque sou uma criança. Mas o Senhor me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, dirás.” (Jr 1.4-7). O chamado de Jeremias demonstra que o Senhor chama e usa a quem quer, conforme Sua avaliação do coração da pessoa chamada, conquanto o Senhor já havia ensinado a Samuel, ao avaliar Eliabe, no dia da unção de Davi como rei: “Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.” (1 Sm 16.7).

V – Falsidade profética: 

A bíblia também registra a falsidade profética em dois momentos. Em ambos os casos, houve morte. Contudo, no primeiro caso, um profeta confiou na mentira contada por outro e acabou morrendo por isso. Isso aconteceu porque, conforme havia dito ao rei Jeroboão, ele apenas entregaria a profecia em Betel e voltaria pelo mesmo caminho em que fora, sem parar para comer ou beber, ou entrar em qualquer casa. Porém, um velho profeta de Betel mentiu ao profeta. “E ele lhe disse: Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou pela palavra do Senhor, dizendo: Faze-o voltar contigo à tua casa, para que coma pão e beba água (porém mentiu-lhe).” (1 Rs 13.18). Então o Senhor falou ao profeta quando ele estava à mesa daquele qu o fizera voltar, revelando que ele morreria no caminho de volta devido à desobediência ao Senhor. E um leão o matou no caminho de volta (1 Rs 13.24). No caso do falso profeta Hananias, após este mentir ao povo sobre o fim do cativeiro, ele pensou que havia humilhado e vencido Jeremias, pois este começara a ir pelo seu caminho. “Mas veio a palavra do Senhor a Jeremias, depois que Hananias, o profeta, quebrou o jugo de sobre o pescoço do profeta Jeremias , dizendo: Vai e fala a Hananias, dizendo: Assim diz o Senhor: Jugos de madeira quebraste, mas, em vez deles, farei jugos de ferro. (…) E disse Jeremias, o profeta, a Hananias, o profeta: Ouve agora, Hananias: não te enviou o Senhor, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; este ano, morrerás, porque falaste em rebeldia contra o Senhor. E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês.” (Jr 28.12-13; 15-17). A profecia do Senhor Jesus diz, sobre os últimos tempos: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.” (Mt 24.11). Então, é preciso estar vigilante quanto às profecias recebidas.

VI – Conclusão: 

Não haveria como falar de todos os profetas bíblicos, desde Moisés até João Batista, mas a abordagem ao ministério de Isaías e Jeremias revela, apenas, uma parte do que é o dom de profecia. A bem da verdade, cada profeta bíblico apresenta um aspecto sobre tal dom. A atitude de cada profeta bíblico revela que há grande necessidade de o profeta ser determinado em suas ações, não se deixando intimidar por qualquer situação. Cumpra, então, o que ensina Paulo: “Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem..” (1 Ts 5.20-21).

Lição 13: Dom de orar 

I – Introdução: 

A oração é uma das principais práticas de várias religiões e seitas. No caso das religiões cristãs evangélicas é a verdadeira forma de comunicação dos fiéis com o Senhor. Orar significa falar com Deus, por isso, não deve conter repetições vãs, porque o Senhor conhece cada um dos Seus. Quanto à terminologia, as palavras do hebraico (tepilla = intercessão; palal = interceder) e do grego (proseuche = voto; proseuchomai = votar) não inferem o seu verdadeiro significado. Contudo, ambas podem ser utilizadas em sentido mais amplo e, por isso, são os vocábulos para falar da oração no sentido de solicitação, intercessão ou ação de graças (Dic. Wicliffe, p. 1.419). “Outras palavras do AT são “suplicar” ou “procurar o favor” de Jeová (pi’el de hala, literalmente “tornar-se agradável à sua face”), “curvar-se em adoração” (shaha), “aproximar-se” (nagash), “ver” ou “encontrar” para suplicar (paga), “implorar” (za’aq), “suplicar” (’athar) ou “comparecer perante a face do Senhor”. Além de proseuchemoai, os autores do NT usam os termos “implorar” (deomai), “solicitar” (aiteo) ou simplesmente “pedir” (erotao) quando se referem à oração. Ao contrário de proseuchomai, essas palavras não são caracteristicamente “religiosas” e podem denotar pedidos dirigidos tanto aos homens quanto a Deus. Entre as palavras mais específicas para oração estão entygkano (“interceder”), proskyneo (“adorar”), e eucharisteo (dar graças).” (Id, pp 1.419-1.420). Como principal forma de comunicação entre o cristão e o Senhor, ao chamar a oração de “dom espiritual” traz-se um questionamento que diz: É um dom de todo cristão? Se é um dom, só quem o possui deve orar? E, se for assim, por que Paulo diz Par orar sem cessar (1 Ts 5.17)? Tais questões serão respondidas nos próximos tópicos desta lição. Então, procure analisar, tópico a tópico, tudo o que fizer referência às características que enfatizem a oração como um dom espiritual, a fim de compreender a contextualização de tal prática como um dom.

II – A oração e a súplica na vida cristã: 

Para entender a diferença entre oração e súplica é necessário entender as motivações de ambas, pois a oração pode incluir a súplica, mas a súplica é, em termos gerais, uma “Humilde e sincera solicitação ou petição, como aquela que se faz de joelhos.” (Dic. Wicliffe, p. 1.866). Paulo diz: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17), não porque todos possuem o dom, mas para que todos possam estabelecer a comunicação direta com o Senhor, não dependendo de quaisquer outras pessoas. Em revelação, a oração aproxima tanto o crente do Senhor, que esse alcança um caminho melhor para a sua própria justificação. Uma oração buscando santificação é essencial, mas, a manutenção do hábito de orar sempre é muito importante, a ponto de sua prática tornar-se uma necessidade diária. Súplicas são realizadas pela precisão de se alcançar alguma coisa imaterial ou mesmo material. Então, indepedente de possuir o dom ou não, a oração deve ser praticada sempre.

III – O modelo de Cristo: 

Em diversos momentos da história bíblica são observadas orações dos mais variados tipos. Desde a oração de agradecimento de Moisés em forma de salmo (Êx 15.1-19) à oração de Salomão após concluir o templo (2 Cr 6), ou a oração de Elias por fogo vindo do céu (1 Rs 18.36-37), além de muitas outras no AT. Já no NT, as orações dominam. Porém, é a partir de Cristo que se observa o modelo de oração que agrada a Deus, onde se vê: a) Exaltação ao Senhor – Mt 6.9; Lc 11.2; b) Clamor por justificação – Mt 6.10; Lc 11.2; c) Súplica por misericórdia – Mt 6.12-13; Lc 11.3-4; d) Exaltação final – Mt 6.13. Apesar deste modelo, muitos preferem fazer o contrário do que o Senhor Jesus falou e continuam a fazer orações longas e repetitivas, como se o Senhor não fosse capaz de entender a oração mais simples.

IV – A oração da fé: 

Tiago diz: “Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.” (Tg 5.13-18). Como parte do fruto do Espírito, a fé é dada sob medida a cada cristão para aquilo que aprouver a Deus que venha a cumprir. A oração da fé é a oração revestida do próprio poder do Espírito Santo que habita naquele que a faz. Através dela, é possível alcançar até mesmo milagres que pareçam inalcançáveis e impossíveis podem ser realizados em nome do Senhor Jesus. Por este motivo, é que o Senhor diz: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as farás maiores do que estas, porque eu vouu para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” (Jo 14.12-14). Portanto, o dom da oração está diretamente ligado ao desenvolvimento do fruto do Espirito na vida do cristão.

V – Conclusão: 

O dom da oração pode ser alcançado por todos os que o buscarem em santificação diária. Tal dom pode provocar a ação do Senhor de forma especial e surpreendente. É a oração como dom espiritual que provoca o Senhor em milagres e maravilhas de modo inexplicável e insondavelmente revelador, pois tal dom pode trazer para o seu possuidor outros dons, os quais tornar-se-ão dependentes deste dom.

Lição 14: Dom de exortar 

I – Introdução: 

A palavra exortar significa estimular, incentivar ou encorajar. Há pessoas escolhidas por Deus que recebem este dom para progresso na obra de evangelismo e para manter a igreja no propósito de buscar, mais e mais, a santificação e o apoio aos fracos na fé, com o fim de evitar quedas em pecado. “A exortação refere-se à linguagem que se usa para incentivar e encorajar. Muitas idéias estão associadas à palavra grega paraklesis no Novo Testamento. É um dos dons do Espírito (Rm 12.8), mas parece ser um aspecto ou objetivo das profecias (1 Co 14.3). É usada como instrução e consolação incitativas (Lc 3.18; At 11.23; 13.15; 1 Tm 4.13; Hb 12.5; 13.22); como súplica, querendo significar um pedido fervoroso (2 Co 8.4); como consolo ou conforto (Lc 2.25; At 15.31; Rm 15.4,5; 2 Co 1.3;5-7); como motivos adequadamente inspiradores (Rm 12.8; 1 Tm 6.2; Hb 3.13); como conforto, no sentido de uma influência de ânimo e de apoio (At 9.31); e de conforto no sentido de dar alegria, contentamento e júbilo (2 Co 7.13).” (Dic. Wicliffe, p. 749).

II – Exortação de fièis: 

Muitos dos que são fiéis ao Senhor, devido a um grande tempo sem quaisquer novidades em suas vidas, ficam como acomodados à situação, sendo vistos em desânimo. A exortação de fiéis tem a função de mudar tal situação. Simeão, recebera a revelação do Espírito Santo de que não morreria antes de ver ao Cristo (Lc 2.25-26). E isto o manteve animado até a apresentação do menino Jesus no templo, quando sua felicidade se completou (Lc 2.28-29). A implicação dos efeitos da exortação sobre fiéis está relacionada com o dom de exortar, que deve haver em quem a faz. Sem tal dom não há efeito algum, pois o dom gera resultados imediatos, fazendo com que os que assim estejam, sejam alcançados e tenham o ânimo renovado. A exortação é regeneradora do ânimo dos fiéis em Cristo Jesus que se sentem enfraquecidos devido a respostas ou bênçãos que demoram a chegar. Todo cristão deve ter em mente que, apesar de se buscar com sinceridade de coração, o tempo certo para todas as coisas está nas mãos de Deus. A palavra do Senhor diz: “Confia ao Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos.” (Pv 16.3).

III – Exortação pregacional: 

Quando quem possui o dom de exortar é percebido pelos dirigentes da igreja, deve ser instruído e avaliado em seu conhecimento bíblico, para que, sendo aprovado, possa pregar na igreja, incentivando a memblesia a um maior compromisso e comprometimento com a obra do Senhor. Observando o texto de Atos 11.19-23, vemos Barnabé a exortar o povo a manter o propósito no coração de manter-se firme na fé. Em nenhum caso uma pessoa com dom, mas sem conhecimento poderá falar à igreja. O bom manuseio da palavra é indispensável. A pregação para exortação deve utilizar textos bíblicos de incentivo à fé incondicional, revelando a crença de que, em Deus, todas as coisas são sempre possíveis. O jovem Davi foi levar provisões aos seus irmãos que estavam no exército de Israel. Lá, ele viu o gigante Golias afrontando ao povo e ao Deus de Israel. O gigante provocava o exército, dizendo para escolherem um campeão para lutar contra ele. “Então falou Davi aos homens que estavam com ele, dizendo: Que farão àquele homem que ferir a este filisteu e tirar a afronta de sobre Israel? Quem é, pois, este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” (1 Sm 17.26). Davi, pela fé que possuía, não viu o inimigo como um gigante terrível, mas, apenas como um ímpio que afrontava a Deus. Davi tinha a confiança de que, ele, com Deus, não precisaria temer nada nem ninguém, pois o Senhor é maior que tudo e todos, e ele capacitá-lo-ía para a vitória. Outro exemplo está em quando o Senhor Jesus caminhou sobre as águas e Pedro pediu para que o Senhor permitisse ele que fosse fosse até onde Ele estava, andando sobre as águas. E o Senhor o chamou. E, enquanto Pedro focou em olhar para Cristo, seus passos sobre as águas foram firmes. Mas, quando desviou seus olhos, começou a afundar (Mt 14.22-36). Tais histórias, dentro de uma pregação exortativa, gera ânimo e transformação nos seus ouvintes.

IV – Conclusão: 

O dom de exortar é concedido a fiéis em Cristo para manter a igreja, suas ovelhas e o próprio pastorado de pé. É um dom que corresponde a uma forma de renovação da fé através de incentivos e de um reposicionamento diante dos problemas advindos. A exortação é primordial para que as bases do cristianismo não sejam corrompidas ou abaladas. A fé é fortalecida através deste dom e pela evocação desta mesma fé nos corações daqueles que confiam na palavra do Senhor. Conquanto haja disposição no ser humano para realizar a obra exortativa, pode-se dizer que, em qualquer situação, deve-se lembrar que é confiando no Senhor que as soluções mais difíceis são obtidas, pois faz parte da perfeição de Deus fazer assim.

Lição 15: Dom de pregar 

I – Introdução: 

Quando alguém prega pela dotação do dom pelo Espírito, a palavra dada atinge, de uma forma ou de outra, o coração dos ouvintes. Mesmo que não haja uma conversão, os efeitos de uma pregação no Espírito produz reflexão. Contudo, muitos dos que estão na igreja não prestam atenção, ou não ficam espiritualmente ligados à pregação. Certo é que, em muitas igrejas, há pessoas que pregam sem possuir o dom. Porém, o dom de pregar não obedece um modelo, pois, nem todos os pregadores vão falar em línguas durante a pregação, já que o falar em línguas só edifica a quem fala, a não ser que haja intérprete. Este não é um dom fácil de ser identificado, e há a possibilidade de o pregador possuir o dom sem que ele próprio o saiba. Há também casos em que o dom existe, porém a igreja não o percebe porque o que está pregando não prega conforme os ouvintes estão acostumados. É a questão do não prestar atenção devido à diferença no pregar. Estejamos atentos na igreja ao invés de julgar. Logo, saibamos ouvir e confiar no uso que o Espírito Santo faz de cada um conforme a sua própria vontade.

II – A grande comissão: 

Quando o Senhor Jesus comissionou os seus discípulos a irem pelo mundo, havia ali três práticas importantes sendo indicadas para o uso deles: pregar, ensinar e batizar. São dois textos sobre a grande comissão, dando uma visão da vontade de Deus para a igreja. Vejamos: “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mt 28.18-20); e: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelhoa toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (Mc 16.15-16). Nota-se a complementariedade dos dois textos entre si, e é necessário compreender que todo o ensino começa na pregação, pois, até que o descrente a receba, seu conhecimento tende a ser falho e/ou fraco, por não possuir a devida consistência. Os comissionados daquele momento foram os díscípulos de Cristo e seus onze apóstolos. Contudo, a comissão é para todos aqueles que crêem na obra redentora de Cristo e em tudo o que a bíblia ensina sobre Seu ministério.

III – A pregação, o ensino e o batismo: 

Isaías, durante seu ministério profético, falou da dificuldade em se chamar a atenção do povo para o que lhe era pregado. Ele escreveu a respeito e justificou suas palavras, falando da salvação que viria através do messias. Eis o texto: “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor? Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado e o mais indigno entre os homens; homem de dores e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fazíamos deles caso algum. Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Is 53.1-5). O texto de Isaías é substancial e demonstra que, independente de quem, quando, como ou onde, muitas pessoas não darão crédito ao que se é pregado. Paulo, ao apresentar seua argumentos pela pregação do evangelho, fala que todos devem invocar o nome do Senhor, clamando pela salvação. Seu texto inclui a palavra do profeta Isaías. Antes, ele questiona enfatizando que só pregar não basta: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele que não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedecem ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação. De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” (Rm 10.13-17). Em seu ministério na terra, o Senhor Jesus pregou e ensinou aquilo que todos precisam saber para buscar a salvação. No que diz respeito ao ensino, em grande parte o Senhor fez uso de parábolas, onde o que é cotidiano responde ao que é preciso ser entendido. Um exemplo está no seguinte texto: “Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificado sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mt 5.13-16). Por fim, conforme consta no texto da grande comissão anteriormente citado, o batismo deve ser realizado “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19), lembrando-se que é indispensável que o batizando seja capaz de discernir sobre o que é o batismo e deve ser feito por imersão, salvo quando não houver possibilidade para tal.

IV – Tipos de pregação: 

1) Pregação por testemunho: O testemunho é uma forma eficiente de se demonstrar a ação e o poder de Deus sobre suas vidas. Quando usado em uma pregação, pode gerar comoção aos ouvintes e tocar corações. Contudo, há pessoas que usam maus testemunhos e geram efeito contrário. É preciso saber escolher bem o assunto e, também, saber se um testemunho cabe ou se faz necessário na pregação. Na verdade, hoje em dia, cada vez mais torna-se imprescindível a escolha de pregadores que sejam totalmente inspirados pelo Espírito Santo. Se tais pregadores tiverem, e acharem por bem utilizar seus testemunhos de vida, a unção espiritual cumprirá os efeitos juntamente à palavra de Deus.

2) Pregação Palavra a Palavra: É a forma de pregar que se utiliza do texto bíblico como seu próprio argumento. É preciso que o pregador conheça bem o contexto do que é pregado no texto escolhido. Também é certo dizer que a bíblia se auto-explica e, através de seu bom manuseio, as metas pregacionais podem ser alcançadas. Um bom exemplo disto está no seguinte texto: “Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4.22-24). Este texto explica o porquê da importância de se adorar a Deus em espírito e em verdade.

3) Pregação evangelística e missionária: Talvez seja a pregação mais importante de ser feita, porque obedece ao comissionamento feito pelo Senhor Jesus e gera o crescimento do corpo de Cristo. Neste tipo de pregação, após a leitura e a explicação do texto lido, é necessário demonstrar a aplicação do texto para a atualidade aos ouvintes.

4) Pregação corretiva: Este tipo de pregação é usado apenas em cultos de reunião de membros, a fim de corrigir os erros que estejam sendo cometidos por quaisquer pessoas na igreja, não importando quem precise ser corrigido. No entanto, é muito importante que se tome cuidado, para que, aquele que seja corrigido não pense em sair da presença de Deus e voltar à condição da velha criatura. É de responsabilidade dos pastores e do presbitério a realização de qualquer reunião de membros.

V – Conclusão: 

Cada pregador da palavra de Deus possui este dom de maneira diferente do outro. Apesar de uns serem mais eloqüentes que outros, o principal é que a Palavra seja dada com correção e com a participação do próprio Espírito Santo. Sem Ele, pregar é inútil, por mais eloqüente que seja o pregador. Em muitas situações, não é preciso que se utilize outro dom, mas, se houver condução do Espírito Santo para tal, que seja usado, então, o dom, seja profecia, seja língua estranha, seja a exortação, ou qualquer outro.

Lição 16: Dom de Mestre 

I – Introdução: 

Retirar as pessoas da ignorância, isto é, do desconhecimento da palavra de Deus é algo de suma importância e que precisa de alguém que tenha o dom para fazer esta parte da obra de Deus. O ensino a que se refere esta lição diz respeito à palavra do Senhor e da doutrina cristã que provêm dela. Ensinar é uma arte que depende do dom. no mundo secular, há diversas pessoas que se formam como professores e mestres, mas que sequer têm prazer no que fazem. Contudo, dentro das igrejas evangélicas, o ensino depende totalmente da unção que haja nos responsáveis por ele. O Senhor Jesus, além de pregar, ensinava seus discípulos, e eles chamavam-no de Rabi (= mestre). E Ele mesmo lhes disse: “Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.” (Jo 13.13). Entretanto, a maior prova de sua mestria está nos ensinos que Ele dá em seus sermões ministeriais. Os principais aspectos de seus sermões de ensino serão vistos a seguir, em partes nas quais ele procurar instruir a igreja na condução de uma vida voltada à busca pelo reino dos céus e a sua justiça. “MESTRE Nas Escrituras, essa palavra está geralmente designando uma pessoa que é superior a outras, em poder, autoridade, conhecimento ou algum outro aspecto.” (Dic. Wicliffe, p. 1261). Sendo assim, este dom ganha importância para a solidificação da igreja em sua principal coluna mestra.

II – A importância do conhecimento: 

O conselho de Paulo a Timóteo serve bem a todo pregador da palavra de Deus. Paulo escreveu assim: “Traze estas coisas à memória, ordenando-lhes diante do Senhor que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam e são para perversão dos ouvintes. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Tm 2.14-15). O dom de pregar é muito importante para que haja crescimento da igreja. Uma boa pregação, dotada da unção espiritual, gera efeitos proveitosos ao reino de Deus. Em termos gerais, conhecimento, sabedoria e dom operam juntos no crescimento do reino. Contudo, o dom se faz inútil se não houver, também, a determinação do ir e pregar, lembrando que tais atos fazem parte da grande comissão de Cristo para todo aquele que confessa o Seu nome. O conhecimento sobre as Escrituras ajuda a se evitar os erros mais simples que se possa cometer. Quando os saduceus interrogaram o Senhor Jesus sobre a ressurreição, desprezaram a necessidade de entender aquilo de que duvidavam. “Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mt 22.29). O crescimento do reino de Deus depende do desenvolvimento da fé. Por isso é tão importante que haja bons pregadores. Com isso, também se é preciso buscar por sabedoria, para que a palavra surta efeitos satisfatórios. É certo que para ensinar é preciso conhecer, com profundidade, o assunto que será lecionado. O conhecimento das Escrituras Sagradas é algo indispensável para quem possui o dom de mestre. Sem a perspectiva do conhecimento o dom de mestre é inútil, pois como se pode ensinar sobre o que não se sabe o conteúdo.

III – Sobre o público-alvo – o discipulado: 

“A natureza da pregação bíblica depende de seu conteúdo específico e da audiência à qual ela é dirigida. Considera-se que, normalmente, o conteúdo da pregação das epístolas seja o “evangelho” (Rm 1.15; 15.20; 1 Co 1.17) com algumas variações, como “Cristo” (1 Co 15.12), “Cristo crucificado” (1 Co 1.23) ou a “palavra da fé” (Rm 10.8), que são mensagens para o mundo não cristão.” (Dic. Wicliffe, p. 1589). Ao iniciar Seu ministério, Cristo escolheu chamar para si aqueles que, pelas dificuldades que viriam, provenientes da comissão que receberiam, fossem capazes de, após o tempo de convivência com Ele, de ensinar a outros o que aprenderam. Possuir o dom de pregar não significa que o pregador pode pregar de qualquer forma, enfatizando coisas que não sejam pertinentes ao público ouvinte. As muitas variantes possibilitadas pela palavra de Deus dão a perspectiva de que a palavra sempre pode transformar qualquer situação. Contudo, dependendo do público ouvinte, quando há o mover do Espírito, os efeitos serão eficazes para atingir os corações ali presentes. Entretanto, pode ocorrer de, apesar da unção, é possível ocorrer de o dom não ser utilizado de forma correta. Um ponto importante é lembrar que a palavra deve estar de acordo com os objetivos do culto, para que não aconteça de uma pregação evangelística vir recheada de admoestações à igreja. “No AT, a palavra “pregador” ou pregar” é empregada com dois sentidos: (1) Em Eclesiastes 1.2, ela é a tradução de uma palavra que significa “agrupador”, isto é, aquele que dirige a uma assembléia pública. (2) Em Neemias 6.7, Sambalate acusa Neemias: “Puseste profetas para pregarem de ti em Jerusalém”; esta expressão significa divulgar ou proclamar Neemias como rei.” (Id., p. 1.590). Porém, a acusação foi negada por Neemias, pois o único motivo de Sambalate na acusação era o de parar a obra de reconstrução. Por mais que o dom esteja em alguém, não há como pregar a palavra de Deus sem a conhecer. E não basta, também, simplesmente conhecer, é preciso entender o contexto geral do conteúdo a ser pregado, além de possuir o dom para tanto. Contudo, no que se refere à formação de discípulos, o mestre deve buscar em oração pelo agir do Espírito através de sua vida. Discipular é ensinar, tendo o conhecimento necessário para instruir. Paulo admoesta a Timóteo (e isto serve para todo cristão) que: “Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.” (2 Tm 3.16-17). Por isso é tão importante conhecer a palavra de Deus. Não há como ensinar o que não se sabe ou conhece.

IV – Erros que são usados para desviar o ensino: 

No tempo de Cristo ministrando entre os homens, fariseus eram considerados doutores da lei. No entanto, seus ensinamentos eram desviados pelo livro das tradições, o Talmude. Como verdadeiro mestre, o Senhor Jesus argumentou pesadamente com os fariseus, que contestaram os apóstolos por não lavarem as mãos antes de comerem pão. “Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição? Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou a mãe, morra de morte. Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim, esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, e, assim, invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.” (Mt 15.3-6). Assim como fariseus valorizavam mais as tradições do que os mandamentos, muitos hoje valorizam mais as bênçãos materiais do que a própria santidade em Cristo. O Senhor Jesus explica aos Seus discípulos que a preocupação com o lavar das mãos deve ser menor do que com o que se fala. Como os apóstolos ainda não haviam entendido, Ele disse: “Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e é lançado fora? Mas o que sai da boca procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem.” (Mt 15.17-20).



Obviamente, o fato de o traidor estar no meio deles também era algo essencial, pois, como o Senhor conhecia o seu coração, Ele sabia que Judas, por querer ver o reino de Cristo na terra, dizimando o domínio romano, destruindo àqueles que os oprimiam, tentaria forçar a Sua ação, entregando-o aos sacerdotes. 


V – Conclusão: 

O dom de mestre é atribuído pelo Espírito Santo a todo aquele que o busca e é comprometido com a formação discipular de outros cristãos, sejam eles novos convertidos ou apenas sem conhecimento. Ao receber o dom de mestre, a pessoa que o detém deve, cada vez mais, santificar sua vida e buscar ao Senhor incessantemente em orações e súplicas. Este dom é indispensável para o crescimento do corpo de Cristo e para fortalecimento da fé entre os membros da igreja. Portanto, para dirimir dúvidas e se alcançar conteúdo para o entendimento da palavra do Senhor, é necessário conhecer bem toda a bíblia, a fim de se obter a compreensão da verdade de Deus. Por isso, está escrito: “Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” (Sl 1.1-2). E isto está escrito porque quem medita na palavra todos os dias alcança sua compreensão, tendo, porém, que estar em obediência a Deus. “Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; ela não tornará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei. Porque com alegria saireis e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros exclamarão de prazer perante a vossa face, e todas as árvores do campo baterão palmas. Em lugar do espinheiro, crescerá a faia, e, em lugar da sarça, crescerá a murta; o que será para a Senhor por nome, por sinal eterno, que nunca se apagará.” (Is 55.10-13). Portanto, conquanto haja o dom, a sabedoria, o conhecimento e a disposição do ir e pregar, tudo contribuirá para o crescimento do reino de Deus e para a propagação da fé.

Lição 17: Dons Ministeriais 

I – Introdução: 

Dons ministeriais foram dados por Deus para que a igreja se desenvolva sob a orientação de pessoas capacitadas pelo Espírito a exercerem as diversas mordomias existentes na mesma igreja. As mordomias são denominadas conforme são necessárias para que a direção dada pelo Senhor seja exercida dentro de uma perspectiva de crescimento da obra de Deus, e são assim denominadas: eclesiástica, diaconal, evangeslística, presbiteriana, missionária e pastoral, além do apostolado (finalizado após a morte daqueles que haviam visto o Senhor Jesus ressuscitado) e da adoração (exercida para exaltação do nome do Senhor). Apesar da mordomia eclesiástica não estar listada, ela é a mordomia que junta e engloba todas as outras. Veremos, nesta lição, os objetivos e os compromissos existentes e que precisam serem buscados para que o nome do Senhor seja, cada vez mais, engrandecido.

II – Objetivos dos dons ministeriais: 

Independente de qual seja a mordomia dada pelo Senhor para ser exercida por alguém, quem quer que a receba deve se comprometer com o seu aperfeiçoamento, buscando em oração, súplicas, jejuns, busca do conhecimento da palavra de Deus e admoestações que corrijam falhas. Tais dons podem e devem ser buscados, mas sem qualquer altivez, o que deturparia o significado de sua existência. Contudo, todos os ministérios devem ser provenientes da revelação divina. Em resumo, os dons ministeriais objetivam um correto funcionamento da igreja e um progressivo crescimento e desenvolvimento das obras exercidas através da fé professada. É importante, então, uma atuação revestida de seriedade e compromisso com os resultados esperados. Lembre-se que os que buscam os melhores dons devem estar dispostos e disponíveis para serem usados por Deus. Ninguém pode determinar qual dom será alcançado por outrem, pois o Senhor usa quem quer, como quer, quando quer e para o fim que assim desejar.

III – Compromisso indispensável: 

O Senhor não dá dom algum sem que haja o comprometimento da pessoa com a Sua obra. É verdade que há bons e maus mordomos nas igrejas. E isto se deve à falta de vigilância que gera a soberba e a altivez de espírito, levando a muitas formas de ação vangloriosa. Quando se fala de compromisso, volta-se ao ponto que segue as determinações dadas por Paulo à igreja de Tessalônica: “exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis. E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós. Rogamo-vos também, irmãos, que admoestais os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos e sejais pacientes para com todos. Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros como para com todos. Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Ts 5.11-23).

IV – Erros eclesiásticos: 

Certas igrejas têm errado na indicação das pessoas para o exercício de mordomias diversas. Há casos de diaconia exercida por menores, presbíteros excessivamente jovens, missionários nomeados apenas para constar, evangelistas que não praticam o evangelismo e, até, de pessoas adúlteras exercendo mordomias diversas. Não cabe a esta publicação o julgamento de quem quer que seja, nem mesmo das igrejas que assim o fazem, mas é preciso analisar os riscos que acompanham tais erros. Quando tais nomeações são feitas, geralmente provêm da necessidade da igreja em preencher quadros ministeriais. Entretanto, deve-se ter em mente que isto pode trazer mais problemas do que soluções. Quando acontece de alguém em pecado ser nomeado para uma mordomia, caso o pecado seja conhecido do pastor presidente, ou este seja o próprio pecador, cai-se naquilo que Paulo escreveu à igreja de Roma, dizendo que tais pessoas “conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não só as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” (Rm 1.32). Por fim, toda nomeação realizada sem a direção de Deus traz conseqüências desastrosas para a obra do Senhor. É preciso que aquele que está à frente da igreja ore insistentemente para que o Senhor indique e aprove a quem quer em cada posição. É, portanto, indispensável agir para evitar o erro.  

V – Conclusão: 

Esta lição foi apenas uma introdução aos dons ministeriais estabelecidos na igreja pelo Senhor. Tais dons serão melhor estudados nas próximas lições. As palavras “ministro” e “mordomo” estão intimamente ligadas aos dons ministeriais. O Dicionário Wicliffe define mordomo como alguém que serve bebidas (p. 1399), isto é, um copeiro. Teologicamente, mordomo é aquele que serve a todos e administra bens de outra pessoa. Quanto a ministro, o mesmo dicionário define que se trata de um oficial ou servidor público que ministra, isto é, serve aos demais, sendo uma palavra equivalente a diácono. Contudo, esta equivaléncia será tratada adiante.

Lição 18: Mordomia diaconal 

I – Introdução: 

A mordomia diaconal, ou diaconato, surgiu da necessidade dos apóstolos em encontrar pessoas que cuidassem das necessidades dos que participavam dos cultos e dos ensinos que eles prestavam diante de Deus. O texto bíblico diz: “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadasmno ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas, e Nicolau, prosélito de antioquia; e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.” (At 6.1-7).

II – A atividade diaconal: 

Em evidência no texto bíblico estão dois pontos importantes: as viúvas gregas eram desprezadas, e era necessário que houvesse quem servisse as mesas enquanto a palavra era ministrada. Os gregos reclamavam que suas viúvas eram desprezadas, pois não recebiam a atenção que a própria lei mosaica determinava (Êx 22.22-24), ou a compaixão que Cristo demonstrara com a viúva de Naim (Lc 7.11-17). O propósito da diaconia era o servir as mesas, levando água, pão, e outros itens aos que participavam dos cultos, principalmente aos mais carentes. Assim fazendo, seriam evitadas as muitas movimentações e murmurações durante a pregação. Ao mesmo tempo, os diáconos constituídos também aprendiam da palavra e se aplicavam a pregar nas horas vagas.

III – O serviço social da igreja: 

Toda igreja constituída deve estabelecer grupos de trabalho para atender aos necessitados e carentes. O corpo diaconal deve buscar os meios e juntar-se à igreja para obter os recursos necessários para ajudar aos que precisam. Esta forma de serviço social também comporta a manifestação do amor ao próximo, que deve ser incondicional. O exercício do diaconato exige que a pessoa conheça e saiba manusear bem a palavra de Deus. Isto porque o diácono (ou a diaconisa) também precisam estar aptos a falar do Senhor quando não estiverem dentro da igreja, como foi o caso de Filipe, que anunciou a palavra em Samaria (At 8.5) e no encontro com o eunuco etíope (At 8,26-39). Como dito anteriormente, o corpo diaconal foi criado para assistir pessoas que necessitassem de alguma coisa, servindo-lhes o que beber e comer, além de cuidar dos enfermos e de fornecer abrigo aos que estivessem sofrendo perseguições.

IV – Atributos para a diaconia: 

Paulo escreveu a Timóteo e evidenciou os atributo necessários para cada levantamento de obreiros. Sobre este tópico, ele diz que “os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé em uma pura consciência. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.” (1 Tm 3.8-10). Apesar de não haver palavra a respeito de idade ou estado civil, é preciso verificar o comportamento de cada pessoa indicada ao diaconato para que não aconteça de, por uma má palavra, gere o afastamento de alguém da igreja, além, é claro, de se verificar se a pessoa não é vista como de caráter duvidoso em meio a sua família, seus vizinhos, seu trabalho e seus meios sociais. Se for casado, deve-se avaliar como é a sua atitude para com esposa e possíveis filhos. Estêvão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau foram os sete primeiros diáconos da igreja por terem boa reputação e serem cheios do Espírito Santo (At 6.3-5). Apesar de a palavra diaconisa não existir na bíblia, diversas mulheres atuaram neste ministério, conforme se vê nas Escrituras. Muitas mulheres serviram ao Senhor Jesus com os seus bens. “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que serviam com suas fazendas”. (Lc 8.2b-3). Também o casal Áquila e Priscila ajudaram Paulo na obtenção de recursos para continuar com sua viagem missionária (At 18.1-23). Há outros que poderiam serem citados, mas limitamos a apenas estes para não estender demais o texto. Mas, pode-se dizer que alguns dos que acompanharam os apóstolos em suas viagens missionárias atuaram como diáconos ou diaconisas.

V – Funções diaconais: 

A mordomia diaconal surgiu como opção ao trabalho dos levitas da antiga aliança que atendiam as necessidades do povo. Antes, os próprios apóstolos atendiam tais necessidades. Pedro tratou com os outros apóstolos pela implantação deste serviço para que eles pudessem se aplicar à pregação. Esta é uma mordomia indispensável ao bom funcionamento da instiuição eclesiástica, a fim de dar o apoio necessário aos mais carentes e cuidar de acomodar visitantes, bem como orientar novos convertidos. As pessoas desta mordomia que estejam escaladas para servir em dia específico devem lembrar que: devem estar atentos(as) a tudo no culto, não podem ficar de olhos fechados, devem ser educados(as), devem estar prontos a servir e estar de pé durante todo o período do culto, além da prontidão para limpar a igreja quando necessário. Tais atribuições não podem ser menosprezadas ou deixadas de lado. Quem é chamado, mas não quer cumprir tais funções, pode recusar o levantamento, mas, se aceitar, deve cumpri-las.

VI – Conclusão: 

A diaconia é uma mordomia imprescindível nas igrejas atualmente. Contudo, sua importância não serve a vaidades pessoais. Ela também serve como uma preparação para as demais mordomias. Assim sendo, quem busca dons espirituais e ministeriais deve estar disposto a servir. Como disse o Senhor Jesus ao lavar os pés dos apóstolos, o servir uns aos outros é para ser um prática habitual cotidiana. O Senhor disse: “Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.” (Jo 13.14). Servir é o maior prazer de um verdadeiro mordomo diaconal. Qualquer pessoa envolvida no diaconato e que não tem prazer em servir está na mordomia errada, como também estaria em qualquer outra, pois, o servir é próprio de toda mordomia. 


Lição 19: Mordomia evangelística 

I – Introdução: 

O evangelismo é o principal chamado cristão. Significa anunciar boas novas às pessoas. Mas, quais boas novas? A salvação em Cristo Jesus. Evangelizar é um ato de amor ao próximo por amor e temor a Deus, e significa, basicamente, anunciar as boas novas da salvação em Cristo Jesus. A pregação evangelística deve acontecer para atrair os pecadores a uma aproximação com o Senhor. Esta mordomia está intimamente ligada ao chamado e comissionamento de Cristo, bem como com a Sua pregação. O apóstolo João foi chamado de evangelista, não apenas para diferenciá-lo do batista, mas, sim por dois importantes motivos: ele escreveu um evangelho diferenciado, trazendo dados não encontrados no outros três, e, foi enfático em suas palavras ao falar da necessidade de todo cristão se afastar do pecado e se firmar no amor de Deus, anunciando a Cristo e falando de Seu amor de maneira ainda mais enfática.

II – A obra evangelística: 

Agora que já foi definido o que é evangelizar é necessário revelar o que é a obra evangelística. Paulo fala a este respeito a Timóteo em sua segunda carta. Ele justifica o que fala e explica a obra antes de exortá-lo a trabalhar nela, sabendo que o jovem aprendera o suficiente com ele. Paulo escreveu: “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. Porque eu já estou sendo oferecido em sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo.” (2 Tm 4.1-6). É indispensável que o evangelista esteja sempre pronto a falar do amor de Deus e da salvação em Cristo Jesus. Por isso, todo evangelista deve conhecer muito bem a palavra de Deus. Também deve saber manuseá-la e ter prazer no que faz.

III – A formação evangelística: 

Assim como um pastor, todo evangelista deve ter uma boa formação teológica. Tal formação exige que o conteúdo didático do curso seja bom o suficiente para que ele guarde e desenvolva o contúdo aprendido. Quando na grande comissão o Senhor falou para que os discípulos fossem pregar o evangelho, isto também era direcionado ao evangelismo local, pois, de que serviria sair para pregar longe sem cumprir seu papel quanto aos que estavam por perto? Assim nasceu a primeira igreja cristã. Estêvão morreu porque, apesar de ser diácono, o dom de evangelizar já estava nele. Mas, como ele foi para as ruas falar do Senhor Jesus, os sacerdotes do templo quiseram fazer dele um exemplo para que aquela obra parasse. Mas, pouco adiantou. O martírio de Estêvão serviu de incentivo para os demais cristãos continuarem a obra evangelística. A formação teológica de todos os que exerciam mordomias na igreja ocorrera sob a própria instrução de Cristo, e isto lhes deu a autoridade suficiente para realizarem evangelismos eficazes. Nos dias atuais, muitos que vão às ruas para evangelizar sequer já leram livros completos da bíblia,e, o pouco que sabem, são das pregações que costumam ouvir. O evangelista deve se responsabilizar pela instrução dos participantes e ter coerência na escolha do papel de cada um no evangelismo, independentemente deste acontecer na igreja, na rua, na casa de alguém, ou em algum outro lugar possível.

IV – Elementos de um bom evangelismo: Para um bom desenvolvimento de um evangelismo é preciso que se tenha a visão e os seguintes elementos para realizá-lo:

1) Pessoal comprometido: Ao organizar uma saída para evangelizar, é indispensável que os participantes saibam discernir o que poderão fazer, em conformidade com o local onde ocorrerá, a possibilidade de fazer um culto ou não, o papel de cada um e o saber falar com as pessoas abordadas.

2) Material disponível: É importantíssimo que se saiba se a igreja dispõe de: caixas de som, microfones, baterias para ligar os equipamentos, instrumentos musicais, cabor para conexão de celular, folhetos para distribuição, bíblias para serem ofertadas, cestas básicas e outros itens.

3) Organização: É imprescindível que todo o pessoal envolvido saiba o que fará para que o evangelismo ocorra em tempo hábil e seja eficiente. Também é ideal que se saiba quais hinos e louvores poderão serem entoados. Isto confere boa dinâmica ao evento. A palavra a ser dada no local deve prover sentimento de arrependimento aos que vivem pelo pecado. As oportunidades dadas devem contribuir para o despertamento das pessoas presentes.

V – Diferenças entre locais: 

1) Em sua própria casa: É o local mais propício para desenvolver um bom trabalho esvangelístico. A família é uma base onde marido e mulher devem construir toda a estrutura de convivência com a presença de Cristo em suas vidas. Por este motivo, é essencial que haja igualdade na fé professada.

2) No meio da própria parentela ou comunidade: É, sem dúvida, o meio mais difícil de ser trabalhado. O próprio Senhor Jesus “disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria.” (Lc 4.24). E esta palavra também se aplica àquele que tenta evangelizar sua parentela ou a sua comunidade. Neste caso, não havendo receptividade, é bom que haja um pregador que não seja conhecido por tais pessoas, evitando um pré-julgamento.

3) No local de trabalho: O melhor evangelismo no local de trabalho é através do próprio comportamento. Quando o cristão demonstra santidade e verdade em sua vida profissional, acaba influenciando a todos a sua volta.

4) Evangelismo capelão: A capelania também tem a função de evangelizar, seja em funerais, hospitais, escolas ou presídios. Portanto, é sempre bom que o evangelista também aprenda técnicas de capelania.

VI – Conclusão: 

A mordomia evangelística deve estar sempre pronta a atuar. A participação dos membros da igreja nos evangelismo deve ser incentivada pelo (s) evangelista (s) da igreja. A prática pregacional deve acompanhar seus colaboradores, conforme seja observada habilidade e unção em cada um. Citando o escritor Claudionor de Andrade, vale acrescentar: “Se cremos no poder do evangelho, saiamos a falar de Cristo. Comecemos por nossa casa. E, assim, haveremos de constatar que nenhuma porta resistirá ao impacto da Palavra de Deus. De fato, Jesus não nos obriga a converter o mundo. Todavia, constrange-nos a espalhar a sua mensagem até aos confins da terra.” (O Desafio da Evangelização, pp. 17-18, CPAD, 2016).

Lição 20: Mordomia presbiteriana 

I – Introdução: 

O presbitério é uma das mordomias mais importantes da igreja, pois dele fazem parte os principais auxiliares do pastor. É formado por homens experientes e experimentados no evangelho, casados, conhecedores da palavra de Deus, de boa índole e de boa reputação. Contudo, muitas igrejas têm promovido a unção ao presbitério de homens jovens, pouco conhecedores e sem capacitação. Isto identifica igrejas que não estão preparadas para o cuidado da obra de Deus. Inclusive, muitas vezes estão se usando homens solteiros, sem compromisso familiar e, até, mulheres. Entretanto, há casos em que um jovem é colocado na posição de presbítero e tem bom desempenho. Porém, a indicação bíblica diz outra coisa.

II – Presbíteros e bispos: 

1) Presbíteros: Chamados originalmente “anciãos da igreja” são auxiliares do pastor da igreja em seu ministério. Dividem com o pastor atribuições que são delegadas por ele. Por isso, devem ter os mesmos atributos que ele. Na falta do pastor, é o presbítero quem assume a igreja, caso não haja um segundo pastor. Quando há muitos presbíteros, faz-se uma eleição para que seja indicado o mais adequado.

2) Bispos: Fazem parte do presbitério e são, verdadeiramente, presbíteros responsáveis pelo trabalho administrativo e contábil da igreja. Geralmente não são pregadores, mas não há impedimentos ao exercício da pregação. É bom que o bispo tenha formação em administração ou contabilidade, mas não é indispensável, desde que saiba realizar o trabalho a ele designado.

III – O presbitério: 

O presbitério é um departamento ministerial formado por bispos e presbíteros, mas presidido pelo pastor presidente. É responsável pelas questões de disciplina e organizacionais da igreja. Entretanto, não podem alterar o estatuto da igreja ou o manual de conduta. Tais alterações só podem serem realizadas pelo corpo pastoral. Como presbíteros podem dirigir cultos e pregar, devem procurar serem ativos nos demais trabalhos, inclusive no evangelismo e nas missões. Eles também podem participar do corpo missionário enviado para outra localidade.

IV – O trabalho presbiteriano: 

1) Julgamento disciplinar: O princípio bíblico diz que para que não haja testemunho falso diz: “Uma só testemunha contra ninguém se levantará por seja qualquer iniqüidade ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que pecasse; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o negócio. Quando levantar testemunha falsa contra alguém, para testificar contra ele transgressão, então aqueles dois homens, que tiveram a demanda perante o Senhor, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias. E os juízes bem inquirirão; e eis que, sendo a testemunha falsa testemunha, que testificou falsidade contra seu irmão, far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e, assim, tirarás o mal do meio de ti, para que os que ficarem o ouçam, e temam, e nunca mais tornem a fazer mal no meio de ti.” (Dt 19.15-20). Veja-se que, neste caso, os juízes aqui denominados são o que, hoje, chamamos de presbíteros, pois eles existiam para auxiliar aos sacerdotes.

2) Administração: Tanto a tesouraria quanto a contabilidade, ou o patrimônio, ou a administração geral das questões legais da igreja precisam da atuação presbiteriana. Até porque muitas destas atribuições precisam estar debaixo de muita oração. Contudo, há lugares em que há a exigência de um contador, de um administrador e de um advogado formado, devido à legislação local, mas nada impede que um presbítero tenha tal formação.

3) Intercessão: Grupos de intercessão são, geralmente, formados com a participação de presbíteros, evangelistas e missionários (as). A intercessão é uma obrigação eclesiástica. É uma atividade normal, convocada e organizada tanto pelo pastorado quanto pelo presbitério, mas exercido por toda a igreja.

4) Substituir o pastor: No caso de qualquer impedimento para o comparecimento do pastor em qualquer culto, o presbítero líder do presbitério assume a posição no período.

V – Conclusão: 

A eleição de presbíteros se dá pela visão dada pelo Espírito Santo à liderança da igreja, sendo verificada, também, se os chamados possuem os atributos para esta função. O presbitério é essencial para o desenvolvimento da igreja, mas, no caso de uma igreja com poucos membros, não é obrigatório. É, portanto, importante ressaltar que membros de um presbitério não podem ser tendenciosos, têm que dar bom testemunho e devem estar sempre prontos em tudo para ajudar o trabalho pastoral.

Lição 21: Mordomia missionária 

I – Introdução: 

O ministério missionário teve início, da forma como é hoje, com os apóstolos. Obviamente, houveram missões antes, com Abraão, Moisés, Samuel, Elias, Eliseu, e tantos outros. O livro de Atos dos Apóstolos demonstra a especificidade da obra desenvolvida por eles. Ao levarem o evangelho a todo o mundo conhecido, os apóstolos se propuseram a fundar igrejas por toda a Ásia e Europa. Uma missão é como um pólo para a realização de diversos evangelismos e cultos. É necessário que haja pelo menos uma pessoa com formação teológica em missões, mas com um grupo de trabalho de, pelo menos, cinco pessoas. Antes, porém, da formação de um pólo missionário, são enviadas duplas ao local para avaliar a probabilidade de se instituir uma missão ali. Somente depois é que se faz o planejamento para a formação da equipe missionária.

II – A primeira saída apostólica: 

Após ter formado o grupo apostólico e tê-lo com Ele por algum tempo, o Senhor Jesus resolveu enviá-los em missão: “E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda enfermidade e todo mal. (…) Jesus enviou estes doze e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel; e, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai. Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão, porque digno é o operário do seu alimento. E, em qualquer cidade em que entrardes, procurai saber quem nela seja digno e hospedai-vos aí até que vos retireis. E, quando entrardes em alguma casa, saudai-a; e, se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz, mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz. E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade. Eis que os envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. Acautelai-vos, porém, dos homens, porque eles vos entregarão aos sinédrios e vos açoitarão nas suas sinagogas. E sereis até conduzidos à presença dos governadores e dos reis, por causa de mim, para servir de testemunho a eles e aos gentios. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como ou o que haveis de falar, porque naquelea mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai, o filho; e os filhos se levantarão contra os pais e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim será salvo. Quando, pois, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem. (…) Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.” (Mt 10.1; 5-23; 40). Este primeiro envio serviu, para eles, como um treinamento para o seu papel futuro. Mas, até aí, estavam limitados a uma obra missionária apenas entre eles.

III – A segunda missão junto a setenta discípulos: 

Algum tempo depois da primeira missão, o Senhor observou seguidores que estavam dispostos a cumprir o que fosse para alcançar o reino, em número de setenta. Então, ele reuniu-os com os apóstolos com mais uma missão. “E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro do seu salário. Não andeis de casa em casa. E, em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos puserem diante. E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus. Mas, em qualquer cidade em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei: Até o pó que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto: que já o reino de Deus é chegado a vós.” (Lc 10.2-11). O texto é bem semelhante ao do primeiro envio, mas demonstra e revela uma ampliação da obra missionária designada para a evangelização de muitos.  

IV – Filipe, o diácono missionário: 

O diácono Filipe não foi enviado pela igreja, mas foi movido pelo Espírito a acompanhar um eunuco etíope, oficial da Rainha Candace, em missão evangelizadora, a fim de apresentar o Senhor Jesus a ele. Isto se deu porque, ao se fechar o cerco à igreja em Jerusalém, alguns foram dispersados a espalhar a semente do evangelho em outras localidades. “Durante a perseguição sob Saulo de Tarso, Filipe foi forçado a fugir de Jerusalém para Samaria, proclamando o Cristo (o “Messias”) aos samaritanos (At 8.5). Seu ministério teve muito sucesso ali, e até influenciou Simão, o mágico, a acreditar e receber o batismo cristão (8.9-13). Mais tarde, foi em direção à velha Gaza e orientou um oficial etíope quanto à fé em Jesus (26.38). Dessa forma, como um judeu helenístico (que falava grego), ele estabeleceu uma importante ligação entre a igreja de Jerusalém e as regiões vizinhas.” (Dic. Wicliffe, pp. 803-804). Filipe saiu em missão devido a circunstâncias adversas. Pregou em lugares diversos, instituindo pólos de pregação onde não havia. Apesar de ser chamado de evangelista, Filipe foi um verdadeiro missionário.

V – Paulo: 

Paulo foi escolhido pelo Senhor para levar o evangelho aos gentios. Viajou pelo mundo conhecido difundindo a palavra de Deus. Buscou ensinar ao máximo de pessoas, abrindo igrejas onde se instalava com a obra missionária. Após mudar de local ele procurava saber do progresso dos pólos. Quando recebia notícias, escrevia cartas, instruindo os que lá ficavam na solução dos problemas que surgiam e enviando ajuda quando necessário. Sabendo-se que ele começou como um perseguidor da igreja chamado Saulo, tendo se convertido numa visão do Senhor Jesus no caminho para Damasco, onde ele recebeu o chamado para a obra missionária. Ficou conhecido como apóstolo dos gentios, mas foi o principal missionário da igreja. Durante suas muitas peregrinações formou lideranças e colocou-as a frente das igrejas. Mesmo sofrendo preseguições onde quer que fosse, Paulo jamais desistiu de servir ao Senhor Jesus.

V – Conclusão: 

A mordomia missionária é uma das muitas formas de crescimento para a igreja. Ao se abrir um pólo missionário, há a necessidade de se dar a ele o significado de ser uma igreja e um ponto de tratamento espiritual para a comunidade. Além disso, também deve ser um local de ensino e aprendizado da palavra de Deus como área para a instrução cristã da Escola Bíblica. O crescimento desta mordomia precisa ser progressivo e contribuir para que a igreja venha a influenciar para bem a comunidade.

Lição 22: Mordomia pastoral 

I – Introdução: 

Ao observar uma criação de ovelhas, vê-se que elas dependem do pastor para que sejam mantidas juntas, pois pastam sem observar a distância do restante do grupo. Ovelhas sem pastor ficam dispersas e se perdem com facilidade. A mesma coisa acontece com a igreja e, assim como ovelhas conhecem e seguem a voz de seu pastor, a igreja deve conhecer e seguir os ensinamentos de Cristo e, o pastor da igreja deve ser alguém que age em obediência à palavra de Deus. O pastor ou sacerdote é responsável por muito mais do que o cuidado com a igreja, mas, também, tudo o que diz respeito à obra de Deus. A mordomia pastoral inclui o trato com os membros do corpo de Cristo, a manutenção do templo, a integração com a comunidade, ser exemplo e conhecer e ser conhecido por seu rebanho.

II – Os dois mandamentos: 

Mais do que pregar o amor, o pastor deve praticar o que prega, amando até aos inimigos da igreja, vivendo e andando no amor ao Senhor acima de tudo e de todos, e amando a todos como a si mesmo. Assim como o Senhor Jesus pregou sobre o amor aos seus discípulos, assim também o pastor da igreja deve instruir suas ovelhas no amor, para que elas sejam também transformadas pelo amor. A explicação do pastor à igreja deve compreender o mesmo ensino dado por João: “Amados, se Deus nos amou, também nós devemos nos amar uns aos outros. (…) No amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor. Nós o amamos, porque ele nos amou primeiro. Se alguém diz: Eu amo a Deus, e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão.” (1 Jo 4.11; 18-21).

III – O serviço pastoral: 

“Visto que a vida do pastor em muitos aspectos é um paralelo com os relacionamentos espirituais, os escritores bíblicos o usam repetidas vezes como uma ilustração eficaz das experiências no reino espiritual. Por todo o Oriente Próximo os governantes estavam acostumados a se retratarem como os pastores do povo. O mais antigo uso conhecido do termo neste sentido foi o de Kudur-Mabug, rei de Elão (aprox. 1900 a. C.). Após relatar relatar uma façanha militar, ele expressou o desejo de se tornar alguém como um “pastor amado”. No Antigo Testamento, o Senhor é o Pastor de seu povo (Gn 49.24; Sl 23; Is 40.11).” (Dic. Wicliffe, p. 1403). A mordomia pastoral é comparada com o pastoreio de ovelhas exatamente porque é função do pastor orientar a igreja nos caminhos do Senhor. O Senhor Jesus explica: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.” (Jo 10.11-15). Há um detalhe importantíssimo sobre esta mordomia que a sobrepõe a todas as outras: por se tratar de uma responsabilidades sobre muitas vidas, o pastor deve estar sempre disponível, pois, em seu caso, não se trata de ser apenas cristão em todo tempo, mas ser pastor em tempo integral. É óbvio que todo cristão deve estar disponível a servir como servo de Deus, contudo, pastores são ungidos para resgatar e cuidar de vidas.

IV – A importância da liderança: 

Assim como Cristo foi o pastor que liderou seus apóstolos, formando-os para serem líderes pastorais das igrejas, doutrinando-os com a verdades das Sagradas Letras, também os pastores devem atuar neste sentido, instruindo e doutrinando a igreja no caminho da salvação. Para isso, é preciso que haja a inspiração e a unção do Espírito Santo, com conhecimento bíblico e disposição para enfrentar as batalhas e armadilhas espirituais constantes, que afrontam aqueles que fazem a vontade de Deus. A conduta de todo pastor deve obedecer os mesmos preceitos bíblicos que ele deverá cobrar de todo obreiro. E, assim como o presbítero, ele deve ser casado e governar bem o seu lar, não iracundo, nem ganancioso, ou soberbo, ou espancador, ou dado à bebida alcóolica. Sendo bom governante de sua própria casa poderá ter sucesso na condução da igreja, lembrando que sua casa deve ser cuidada como se fosse templo do Senhor. Pastores têm a obrigação de organizar a igreja para um bom funcionamento e uma boa coordenação da obra do Senhor sob sua responsabilidade. Um dos muitos procedimentos que o pastor tem que cuidar é da formação e da constituição do presbitério. Paulo deixou Tito como pastor em Creta e instruiu-o, por carta, a agir assim: “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei: aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com sã doutrina como para convencer os contradizentes. Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casa inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância.” (Tt 1.5-11). Na instrução a outros membros, o pastor deve seguir instruindo da seguinte forma: “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina. Os velhos, que sejam sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, na caridade e na paciência; as mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, a serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada. Exorta semelhantemente os mancebos a que sejam moderados. Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina, mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós. Exorta os servos a que se sujeitem a seus senhores e em tudo agradem, não contradizendo, não defraudando; antes, mostrando toda a boa lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso salvador.” (Tt 2.1-10). Por fim, cabe aos pastores pregar a todos o evangelho do reino, “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniqüidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.” (Tt 2.13-14).

V – Conclusão: 

A formação dos pastores precisa contar com o discernimento de que sempre será necessário o aprofundamento na palavra de Deus e na historicidade cristã, que revela o compromisso com a verdade de Deus e o indispensável andar e viver em Espírito. A mordomia pastoral deve ser vivida integralmente e colaborar para o crescimento do corpo de Cristo e a disseminação da sã doutrina. É inquestionável que tal mordomia deva contribuir para o bem estar da comunidade e que possui, por missão, levar a cabo o resgate de vidas que têm se perdido pelos descaminhos gerados pelos pecados deste mundo.



Lição 23: Mordomia de adoração 

I – Introdução: 

Em sua velhice, sabendo que seria seu filho Salomão quem edificaria a casa do Senhor, Davi organizou, entre outras funçoes dos levitas, as turmas dos cantores, 24 ao todo. Compositor de salmos, Davi valorizou o canto de louvores a Deus, e colocou a família de Asafe como responsável por esta mordomia. Desde então esta mordomia passou a integrar o serviço eclesiástico no tabernáculo e, depois, no templo. A adoração exalta o nome do Senhor e, conforme o Senhor Jesus diz: “a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (Jo 4.23). Ou seja, o importante da adoração a Deus é fazer isto com total sinceridade de coração, demostrando entrega à sua adoração.

II – O louvor por amor sublime a Deus: 

Alguém escreveu: “Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele fez maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória. O Senhor fez notória a sua salvação; manifestou a sua justiça perante os olhos das nações. Lembrou-se da sua benignidade e da sua verdade para com a casa de Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus. Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os moradores da terra; dai brados de alegria, regozijai-vos e cantai louvores. Cantai louvores ao Senhor com a harpa, com a harpa e a voz do canto. Com trombetas e som das buzinas, exultai perante a face do Senhor, do Rei. Brame o mar e a sua plenitude; o mundo e os que nele habitam. Os rios batam palmas; regozijem-se também as montanhas, perante a face do Senhor, porque vem a julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e o povo, com eqüidade.” (Sl 98). Este salmo é uma exaltação e adoração ao Senhor, nosso Deus. O chamado ao canto durante o canto é algo que sublima o valor e o temor dispensados ao Senhor por aqueles que dizem que o amam de todo o caração. Todo louvor deve ser dado ao Senhor, por honra e glória ao Seu santo nome. Somente aqueles que reconhecem a palavra de Deus como verdadeira conseguem louvá-Lo com esta certeza. Então, é preciso haver entrega e entrega total para se poder ser um verdadeiro adorador e amar a Deus em espírito e em verdade. Esta mordomia não está listada com clareza nas relações feitas por Paulo, nem na carta aos romanos, nem na primeira carta aos coríntios. Contudo, pode ser incluída, pelo texto de Romanos no aspecto de ministério, pois o louvor é para ser ministrado. Então, no texto em questão, está grafado a seguir em negrito: “De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.” (Rm 12.6-8). O louvor tem poder de tocar o coração de Deus, quando é totalmente voltado à exaltação de Seu nome. Também pode libertar e curar, além de poder aplacar a fúria dos demônios.

III – Tipos de louvor: 

1) Inspirados e fundamentados na palavra de Deus: são aqueles que possuem trechos do texto bíblico na letra, dentro da coerência e sem fugir da mensagem bíblica. 2) Para apoio espiritual: são os que dão palavras de consolo para aqueles que passam por alguma dificuldade ou sentimento depressivo. 3) Salmódicos: utilizam com letra um salmo completo. 4) Poéticos: dão mensagens ilustrativas e positivistas para fortalecimento do ânimo congregacional. 5) Distorcedores da palavra de Deus: parecem bons louvores, mas possuem erros em relação à bíblia, quebrando o sentido real do que deve ser entendido das Escrituras. Devem ser abolidos das igrejas que perceberam suas implicações. 6) Heréticos: possuem muitas heresias e são compostos para afastar pessoas de Cristo. O seu maior problema é que são feitos por pessoas diretamente ligadas com o louvor da igreja. 7) Românticos: na realidade, são canções de amor feitas por evangélicos que fundamentam suas relações amorosas na manutenção da santidade em todo o relacionamento.

IV – Ministério, Mordomia ou apenas um elemento de culto? 

O louvor não é um apenas um elemento de culto, pois também é utilizado na ministração da palavra por muitos pregadores. Ele pode ser dado tanto como ministério quanto como mordomia, pois deve ser ministrado e, também, deve fluir com humildade e sinceridade, sem se pensar que se é o melhor cantor. Na ministração, o louvor precisa da inspiração do Espírito Santo de Deus. Ministrar não é apenas cantar ou dizer mensagens durante o canto. Ministrar é deixar que o Espírito Santo use a boca e fale através de quem canta. A mordomia ou o servir em louvor é a prática constante do ministério em favor dos que desconhecem a palavra de Deus. Servir em louvor é permitir que o canto seja usado para tocar os corações ouvintes. Portanto, seja como ministério ou mordomia, o louvor é um importante elemento do culto, que, com verdadeira inspiração divina, pode arrebatar corações para o reino de Deus. Também é indispensável que, para tanto, haja conhecimento da palavra do Senhor, e que os louvores entoados sejam bem inspirados. É determinante, para alcançar os efeitos, que haja uma vida de oração e de edificação em Cristo, a fim de alcançar a unção buscada.

V – Conclusão: 

O louvor é uma mordomia que, muitas vezes, já faz o resgate de vidas, tocando corações com letras e melodias inspiradas. Deve-se, no entanto, analisar o teor de cada louvor para que não se faça uso de louvores heréticos, com erros doutrinários ou com inconsistências em relação às Sagradas Letras. Observemos com cautela, pois uma melodia bonita pode acompanhar heresias e erros que gerem questionamentos da palavra de Deus, sendo que, na verdade, tais questionamentos são desnecessários, pois a bíblia é a palavra da verdade inerrante do Senhor.

Lição 24 – Apostolado: uma mordomia finalizada 

I – Introdução: 

“A palavra Apostolos, usada para “mensageiro” ou “agente”, também é encontrada no grego clássico (Heródoto i.21; v.38; cf. Eurípedes, Iphigeneia in Aulis, 688). No NT a palavra “apóstolo” é usada tanto em um sentido amplo quanto estrito. Todo apostolado é centrado em Jesus, que é o Apóstolo (Hb 3.1-6) enviado por Deus para ser o Salvador do mundo (1 Jo 4.14). Embora João não use o substantivo, ele freqüentemente usa o verbo e descreve as funções do Senhor Jesus como Apóstolo de Deus.” (Dic. Wicliffe, p. 162). Segundo o texto bíblico, o significado de apóstolo é mensageiro ou enviado. Contudo, em sua amplitude, o apostolado tem por função apresentar o ensino que leva ao conhecimento da salvação. Nenhum apóstolo chegou à dimensão do apostolado de Cristo, mas todos seguiram o seu exemplo.

II – Atributos de um apóstolo: 

O livro de Atos dos Apóstolos revela que, para alguém ser nomeado como apóstolo, era necessário que tal pessoa tivesse participado do ministério de Cristo na terra, tendo aprendido e caminhado com Ele, e que também O visto ressuscitado e na ascensão aos céus. Pedro fala da seguinte forma: “É necessário, pois, que, dos varões que conviveram conosco todo o tempo que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição.” (At 1.21-22). No caso de Paulo de Tarso, sua nomeação ao apostolado se deve exclusivamente pela atuação do Senhor Jesus neste sentido. Isto aconteceu quando Paulo (ainda como Saulo) estava seguindo para Damasco a fim de prender os que fossem seguidores da doutrina de Cristo. “E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer. E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não ouvindo ninguém.” (At 9.3-7). Mais tarde, o Senhor Jesus fala a um discípulo chamado Ananias para ir até onde está Saulo e lhe impor as mãos para que ele recobre a visão. Então, “respondeu Ananias: Senhor, a muito ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome. Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome.” (At 9.13-16). Escolhido pelo próprio Senhor Jesus, Saulo deixou o nome pelo qual era conhecido e temido e tornou-se o apóstolo Paulo, o qual fundou igrejas na Ásia, na Mesopotâmia e na Grécia, tendo instruído aos romanos que fundaram a igreja em Roma.

III – O fim da mordomia apostólica: 

Com a morte daqueles que foram eleitos apóstolos pelo conhecimento do Senhor Jesus Cristo, o apostolado teve seu fim, ainda que alguns, por vaidade, ainda se autodenominassem apóstolos. “Aparentemente, a posição dos apóstolos não foi fixada permanentemente antes da ressurreição (Mt 19.28-30; Lc 22.28-34: cf. Jo 21.15-18). O Cristo ressurrecto fez deste grupo seleto de seu ministério e ressurreição, apóstolos e testemunhas permanentes de que Ele é o Senhor, os comissionou como missionários, os instruiu a ensinar e batizar (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18; Lc 24.46-48), e completou o processo com o envio do Espírito Santo no Pentecostes (Lc 24.49; At 1.1-8; 2.1-13). No período inicial, os 12 apóstolos eram os únicos ensinadores e líderes da igreja, e outros ofícios foram derivados deles (At 6.1-6; 15.4). O apostolado não implicava em uma liderança permanente.” (Dic. Wicliffe, p. 162). Após firmar todas as mordomias necessárias para o correto funcionamento da igreja, o apostolado foi substituído pela mordomia missionária, que tem as mesmas atribuições, entretanto não é formado por pessoas que viram e andaram com Cristo, mas por pessoas que receberam seu ministério pela revelação e pela unção do Espírito Santo. A conveniência que supre a vaidade pessoal faz com que muitas pessoas façam uso do título de apóstolos, pois querem ser vistos por uma importância que deveria ser atribuída apenas a Cristo.

IV – Falsos apóstolos e unções falsificadas – o perigo do engano: 

Devido à vaidade mencionada na parte anterior, o número de falsos apóstolos tem crescido vertiginosamente. A autodenominação tomada como um chamado feito diretamente por Deus é muito parecido com a autoproclamação do diabo como Deus. Muitos líderes constrangem o ministério da igreja a aceitarem esta autodenominação, dizendo que foi o Senhor quem revelou. Porém, quando há uma revelação assim, sempre é mencionado que quem a recebeu foi o próprio favorecido. Noutros casos, isto é acordado por membros do ministério, isto é, presbíteros, bispos, evangelistas, missionários e pastores da igreja, sem qualquer revelação, apenasuma decisão conjunta. Uma das principais práticas dos falsos apóstolos é a roupa feita de saco, túnica de shita e sandálias de couro cru, para fazer da aparência algo humilde, quando, na realidade, o que se tem é uma grande soberba fantasiada, pois se diz possuidor de uma grande unção, a qual, muitas vezes, é ensaiada e encenada. Tais encenações revelam o caráter herético de tais lideranças, as quais são dissonantes em relação aos propósitos da igreja de Cristo. Líderes deste tipo gostam de pregar a prosperidade que provém de uma troca de favores com Deus, isto é, a doação de ofertas em troca pela bênção ou a graça do Senhor. Dizem que a igreja deve dar conforto aos seus líderes, através de bons salários e outros benefícios.

V – Conclusão: 

O apostolado teve uma função enquanto vigorou. O fato de não haver mais a possibilidade de apóstolos por não cumprirem as condições firmadas em At 1.21-22, demonstra que as pessoas querem saciar suas vaidades, agindo para serem comparativamente semelhantes aos doze escolhidos por Cristo. Com isso, inserem na igreja uma celeuma de erros que quebram todos o significado do que vem a ser a cristandade. Apesar de existirem pessoas que recebem a unção apostólica e permaneçam na seriedade da pregação da palavra de Deus, tais pessoas deveriam se manter como pastores, presbíteros, bispos, evangelistas ou missionários, sendo esta última classificação a mais indicada.

25 – Mordomia eclesiástica 

I – Introdução: 

A palavra latina “eclésia” significa “igreja”, que por sua vez significa chamados para fora. Quando alguém diz ser “igreja do Senhor”, não está apenas se colocando no lugar de um templo, mas está afirmando ser parte dos que são chamados para fora das paredes do templo para realizar a obra de Deus. A mordomia eclesiástica envolve o todo do funcionamento da igreja, apresentando e aplicando a doutrina bíblica ao cotidiano dos membros do corpo de Cristo. Vejamos agora os aspectos que determinam as caracterísiticas e compõem esta mordomia, a qual envolve todas as demais mordomias. Não é a mordomia exercida por uma pessoa, mas por todo o ministério da igreja.

II – Congregando o corpo de Cristo: 

A igreja, como um todo, possui uma mordomia conjuta, onde todos devem se importar uns com os outros. Como em uma sinfonia, onde cada nota musical está interligada com outra, a mordomia eclesiástica determina a igreja como verdadeiro corpo de Cristo. Está escrito: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E, se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Agora, pois, há muitos membros, mas um só corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; e os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; eaos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais honenstos não têm necessidade disso; mas Deus assim formou o corpo, dando mais honra ao que tinha falta dela, para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.” (1 Co 12.12-26). Em última análise, a igreja é o conjunto perfeito de membros que compõem o corpo de Cristo e se harmonizam em uma identidade cristã. E esta é a verdadeira mordomia eclesiástica: a unidade dos membros do corpo.

III – Mordomias associadas: 

Paulo diz: “Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro, doutores; depois, milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedade de línguas. Porventura são todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? São todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente.” (1 Co 12.27-31). Paulo está falando dos dons eclesiásticos que, na efetividade da comunhão eclesiástica, as mordomias se harmonizam pela sua complementariedade e porque seus operadores integram-se perfeitamente como membros de um mesmo corpo. Mesmo sabendo que nem todos os dons estão presentes em todas as igrejas, e que algumas mordomias não se fazem presentes, pois, nem sempre há profetas, e, hoje, não é mais possível haver apóstolos segundo a palavra da verdade, sabe-se que Deus se faz presente na união dos que o buscam.

IV – A igreja como mordomia: 

Igreja significa “chamados para fora”, e como tal, precisa buscar os que não fazem parte do corpo de Cristo, apresentando-lhes a palavra de Deus e o caminho da salvação. Como mordomia, a igreja (do grego ekklesia) revela unidade, pois os que fazem parte dela buscam união uns com os outros. O bom funcionamento do corpo eclesiástico é impulsionado pela união dos cristãos com o seu Senhor. Não obstante, Davi escreveu: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla dos seus vestidos. Como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.” (Sl 133). Em extremo, os que fazem parte do corpo de Cristo têm prazer em estar unidos e concordam com Davi no contexto de Sl 122.1: “Alegrei-me quando me disseram: Vamor à casa do Senhor.”, pois é em Cristo que se dá a unidade eclesiástica perfeita. “Como um corpo, um organismo vivo, a Igreja deveria crescer para a maturidade, “à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13; cf. vv 14-16).” (…) “Embora todos os crentes tivessem uma posição igual perante Cristo, o Cabeça, a Igreja organizou-se com a finalidade de assegurar seu funcionamento prático e ordenado aqui na terra.” (Dic. Wicliffe, 952).

V – Conclusão: 

A mordomia eclesiástica revela uma simbologia de união que deve reger o corpo de Cristo. A unidade da igreja só é possível por uma memblesia articulada e que se reconhece como partes do mesmo corpo. Nesta mordomia não sõ permitidos sentimentos facciosos ou inveja. Esta lição se complementa na lição seguinte, pois a mordomia eclesiástica é parte integrante da igreja de Cristo, pois representa o local onde tal mordomia é aplicada.


Lição 26: A igreja de Cristo 

I – Introdução: 

Em um conceito geral, a igreja é chamada de casa de Deus, casa de oração, ou lugar da presença de Deus. Paulo vai mais além, e diz que o próprio cristão é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19). “O nascimento da igreja foi reconhecido pelos cristãos como um cumprimento de parte da aliança feita com Abraão e Moisés. Deus tinha feito um pacto com os israelitas pelo qual Ele iria estabelecer um povo que seria seu, e que iria receber as suass promessas. Esse povo seria sua “propriedade peculiar”, um “reino de sacerdotes”, uma “nação santa”, aquele que levaria sua luz às nações (Êx 19.5,6).” (Dic. Wicliffe, p. 950). A idéia desta aliança infere ao compromisso daqueles que buscam fazer parte do povo de Deus por adoção, confessando ao Senhor Jesus como Salvador e crendo em Seu ministério na terra, sua morte e ressurreição, e na missão da igreja na terra. A certeza da salvação só pode existir pela afirmação e manutenção deste compromisso. E, sobre isto, Paulo diz: “De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai!” (Rm 8.12-15).

II – O nascimento e o despertar da igreja cristã: 

“Existe muita diferença de opinião a respeito da data de origem da Igreja. Ela teve início no Pentecostes, ou naquela época foi meramente constituída sob a forma que teria no Novo Testamento? “Aqueles que acreditam que a Igreja teve o seu início no Pentecostes ressaltam que a afirmação de Cristo em Mateus 16.18, “edificarei a minha Igreja”, apresenta o verbo no futuro e faz alusão a uma época pelo menos subseqüente a essa afirmação. Adicionalmente, eles argumentam que alguém se torna um membro da igreja por meio do batismo no Espírito Santo, que assim o une ou o identifica com o corpo místico de Cristo (1 Co 12.13ss). O batismo no Espírito Santo era um evento futuro nos Evangelhos (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33) e em Atos 1.5. Porém, em Atos 11.15,16 ele já havia sido concedido pela primeira vez. Onde mais alguém poderia logicamente começar o batismo, a não ser no Pentecostes? Se o começo do batismo no Espírito Santo, por meio do qual alguém se torna membro da Igreja, ocorre no Pentecostes, então a Igreja deve ter começado ali. “Além disso, o apóstolo Paulo refere-se ao Espírito Santo em Efésios 3.2-11, e ressalta que ele fala do “mistério… o qual noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” (vv 3-5). “Outros respondem que essa passagem não nega claramente a existência anterior da Igreja, mas apenas afirma que sua existência não tinha sido dada a conhecer a eles, como tinha sido aos apóstolos. Em outras palavras, embora o Antigo Testamento certamente tivesse dado indicações de que os gentios iriam receber o evangelho quando o messias viesse (Is 9.2; 11.10; 42.6; 49.6; 60.3; 66.12; Am 9.12), ele não deixava clara a eliminação da divisão, ou da parede de separação entre os judeus e os gentios (Ef 2.14; 3.9). “A isto, eles acrescentam que a unidade da aliança da graça – de que a salvação, em todos os tempos e com todas as revelações, foi oferecida sobre a base da graça de Deus e por meio da fé – e o ensino de Romanos 4 a respeito da justificação pela fé, anterior à lei no caso de Abraão, sob a lei no caso de Davi, e na época do Novo Testamento, mostram a existência da Igreja no Antigo Testamento e sua continuidade no Novo Testamento.” (Dic. Wicliffe, p.951). Entretanto, se formos pensar na igreja cristã, vemos o seu nascimento nos ensinamentos de João Batista aos seus discípulos, desenvolvendo-se objetivamente nos conceitos dados por Cristo aos seus apóstolos. Observa-se, então, que, no Pentecostes, a igreja já estava formada, pois “estavam todos reunidos no mesmo lugar” (At 2.1b). A igreja ali já estavam em culto de oração.

III – O culto cristão: 

Paulo apresenta aos romanos a base pela qual se deve planejar a obra do Senhor na igreja. Por isso, Ele diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.1-2). Com esta base, o culto se organiza, em cada igreja, de uma forma diferente, conforme a visão de seus ministros. Quando os apóstolos começaram a organizar um lugar em separado para a igreja, após a ascensão de Cristo, os cultos duravam muitas horas e haviam vários momentos de pregação. Ao mesmo tempo, sabe-se que o louvor também era presente, pois, se observarmos os momentos após a última ceia, veremos que, ao saírem do cenáculo para irem ao Getsêmane, o Senhor e seus apóstolos foram cantando. Em Filipos, após sua prisão por expulsar o espírito de adivinhação de uma pitonisa, Paulo e Silas, ainda que estivessem acorrentados no tronco, oravam e cantavam hinos a Deus, como num culto em uma missão cristã. Por motivos diversos, as igrejas evangélicas desenvolvem cultos semelhantes, mas com diferenças conforme a denominação e a corrente que seguem. Independente das diferenças, elas, em geral, possuem: hinos do hinário utilizado, uma palavra de introdução ao culto, louvores, testemunhos e a palavra devocional que é pregada com um bom tempo para ela. Há, também, práticas que são comuns, como: apresentações de crianças, chamados à fé, apresentação da agenda da semana e bênçãos a serem proferidas. Não foi inserida nesta lista a palavra para coleta de dízimos e ofertas porque, nos cultos bíblicos, estes itens não faziam parte dos cultos, mas eram dados antes ou depois dos mesmos.

IV – A igreja além da igreja: 

É importante evidenciar que a igreja deve agir além das paredes e que seus membros precisam ser igreja onde quer que estejam. Como diz Paulo: “Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu e também do grego.” (Rm 1.14-16). Os evangelismos nas ruas, praças, nos pólos missionários, nos cultos em lares que os solicitam, são parte do papel da igreja como propagadora do evangelho de Cristo. É este trabalho que demonstra e revela o amor de Deus por toda a criação, conforme está escrito na carta de Paulo a Timóteo: “Admoesto-te, pois, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade, porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem, o qual se deu a si mesmo em preço de resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo.” (1 Tm 2.1-6). Por fim, a igreja de Cristo deve guardar a doutrina Cristã e buscar ser como a Igreja de Filadélfia, conforme ditado pelo Senhor Jesus ao apóstolo João na ilha de Patmos: “Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar, tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. (…) Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei na hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.” (Ap 3.8; 10). Cabe ao Anjo da igreja (o pastor presidente) estabelecer as diretrizes doutrinárias para que este objetivo seja alcançado e, desta forma, o nome do Senhor seja glorificado.

V – Conclusão: 

A igreja de Cristo, dada aos homens de Deus que se comprometeram a pregar o evangelho a toda criatura, precisa de cada vez mais pessoas dotadas por Deus para trabalharem na grande obra confiada por Deus. Ainda que existam muitas denominações, diferentes visões e correntes doutrinárias, todas têm a mesma missão de disseminar o evangelho aonde quer que forem. Por este motivo, os chamados para estarem à frente mesta obra devem estar em constante oração, a fim de identificarem os escolhidos de Cristo para o auxiliarem. Desta forma, evita-se que lobos em peles de cordeiros se infiltrem na igreja para gerar conflitos e tirar a Cristo do coração dos membros.



Considerações finais: 

Esta revista buscou trazer os esclarecimentos necessários para que a igreja de Cristo faça o papel para o qual foi trazida à existência. A necessidade de busca e desenvolvimento de dons é algo que precisa ser ministrado e ensinado nas igrejas. Ao escrever esta primeira revista, a inspiração divina operou para que ela fosse a mais direta possível. Naquilo que o discipulado tenha dúvidas, é imprescindível que se pergunte, para que não fiquem dúvidas que dificultem o enraizamento do aprendizado. O tema escolhido para esta primeira edição, “Dons para a igreja”, deveu-se à falta de publicações que abrangessem o tema em conformidade com o esclarecimento que a própria bíblia, conquanto palavra de Deus, nos dá. Após findar o estudo desta revista, procure revisá-la periodicamente, a fim de fixar seu conteúdo no coração.